Nascer Outra Vez

Os fins e os princípios são importantes, o meio do caminho para sempre pode enlouquecer até os mais fortes.

Saber sentir o fim, pressentir o início de outra coisa ainda por nascer. Deixar que algo termine, mas vislumbrar algo de novo que se levanta, tecendo contornos inimagináveis.

O olhar que se fecha, na noite cansado. A cabeça que olha para cima em busca da luz…

O amor como adubo, que reforça a vontade.

O Natal como fim do advento, o Natal como principio de tudo,

Que se continue a sonhar, que se continue a olhar esgazeadamente a beleza louca do mundo

E que se CONTINUE A ESCREVER…

 

james turrell_meditative sky pesher

 

 

 

 

 

 

 

 

Sobre Bernardo Vaz Pinto

Não conseguiria nunca ser bailarino actor ou cantor sem aquela coragem segura que lhes permite não desfalecer sob os olhares escondidos de qualquer audiência. Prefiro esconder-me sob uns traços gordos de um lápis de lâmina macia, em fundo branco de papel, acarretar a velocidade lenta de uma qualquer construção que se faz colocando pedra sobre pedra. Ou passar tempo a decifrar, agora por detrás destes óculos de vidro, caligrafias de ficção e poesia, que acabam por aparar a nossa existência, e até moldá-la, abrindo portas a novos sonhos e realidades que não vislumbrávamos até à data. A música. Negra, principalmente riscada nos pântanos de new orleans, e no fumo gelado do south side de chicago. O jazz num solo de Baker, o Miles de pés e mãos marcadas pelo tempo e pelos abusos num concerto em Tokio onde a língua falada era mesmo a música. E Bach. E sempre Bach. De resto, pouco mais, entre a vontade de sonhar a vida e o sonho de vivê-la. O olhar da estrada que passou que ilumina o caminho incerto do futuro. A vontade de expelir para fora o ar que nos fica preso cá dentro.
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11 respostas a Nascer Outra Vez

  1. manuel s. fonseca diz:

    O esgazeado Natal como príncipio de tudo: já tem um adepto para a seita, Bernardo.

    • Bernardo Vaz Pinto diz:

      Manuel :não tinha pensado dessa forma, é impressionante como as mesmas palavras podem significar coisas diferentes…que bela frase que inventou ” o esgazeado Natal como principio de tudo”. Bom título de livro…ou será de filme?
      Obrigado sempre pelos comentários…

  2. Rita V diz:

    Bernardo
    Gostava de lhe responder com um desenho mas ainda não sei fazer isso aqui na caixa dos comentários. Quando o desenho estiver no ar depois mando-lhe o link – em resposta!

    • Bernardo Vaz Pinto diz:

      Ansioso de ver a resposta desenhada…desenhar a palavra escrita ? Ou desenhar o sentido? Vou ficar à espera…

  3. Bernardo Vaz Pinto diz:

    Vale a pena… O Turrel claro. E um artista americano ( o nome pode enganar…) que trabalha muito com a percepção espacial e com a materialidade da luz…neste caso e noutros semelhantes o “Céu” aparece sem a “mediação” do caixilho, como plano pintado…

  4. Ana Rita Seabra diz:

    Esgazeada a olhar para esse “Céu” e para as tuas palavras!
    Gostei muito do Turrel e da sua figura solitária no meio dessa meditação espacial.

  5. António Eça de Queiroz diz:

    O meio caminho para sempre pode, de facto, enlouquecer.
    Grande frase e bela imagem.

  6. rita vaz pinto diz:

    O meio do caminho para sempre é o eterno provisório que não nos deixa recomeçar.
    Que se continue a sonhar, a olhar esse céu, a renascer.

    bjs
    rita

  7. Pedro Norton diz:

    texto magnifíco.

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