O que ouvi dizer que me vão fazer em 2012

Lembram-se de eu vos ter dito que me deixava levar? Deixei. Pelas mãos das três meninas e nove meninos já fui onde nunca tinha pensado ir.

Já me disseram, “fecha os olhos”, e não me arrependi de os ter fechado: consolou-me o sussurro da música nos ouvidos, a carícia de um afago nas maçãs do rosto. Tratam-me tão bem e, é engraçado, ainda nenhum me disse, “despe-te”. Nem eles acreditam que eu me despisse.

Foram só estes dias, poucos, nesta casa tão branca, tão riscada a vermelhos. E bastaram estes dias para que parecesse um ano.

Daqui a nada começa outro, 2012. Por isso, antes que cheguem “os 12 que me levam pela mão”, venho em segredo falar ao meu pequenino bando de leitores. Dizer, “obrigada”. Garantir que são todos bem vindos, os lusíadas, daqui mesmo, os desse tão longe ao alcance da mão Brasil, os de Angola, de Cabo-Verde – sei bem que tenho lá pelo menos uma leitora – e os de Moçambique.

Morro já aqui se não vos contar, meus queridos leitores, um segredo: ouvi “os 12 que me pedem para fechar os olhos” a combinar coisas. Dizem que gostaram tanto de mim nestas primeiras duas semanas que em Janeiro me vão levar a bailes – gostam do vestido que eles me deram de presente sem me terem dito nada? -, a festas, a ver histórias de amor e morte, a espiar traições amorosas, a coisa ainda mais de faca e alguidar do que a “Carmen” de Bizet. E diziam, uns para os outros: mais Ficção, mais Ficção. Eu ainda mal sei o que é ficção, mas estou numa excitação que não posso porque me parece tudo um bocadinho proibido e contado atrás das portas. Das portas de um Museu, dizem eles. E quanto mais eles segredam, mais eu quero, quero. Quero e vou. Venham também, sim?.

Não, não é só isso e nada de ir já embora, querido bando de leitores. Também os ouvi ao telefone. Bem sei que não devia, mas eles falam tão alto… Combinaram ter umas conversas incendiárias, vermelhas, em que vão dizer o que lhes vem à cabeça. É automático, disse um deles. E chamaram-lhe impulso. Oh meu Deus, acho que agora é que me vão dizer, “despe-te”.

Se eu me dispo? Sabe-se lá o que 2012 tem guardado, queridos leitores. Mas só se me derem a tristíssima alegria de me visitarem é que vão descobrir.

Agora sim, desejo-vos um lindo e triste 2012.

Sobre Escrever é Triste

O nome, tiraram-mo de Drummond. Acompanho com um improvável bando de Tristes. Conheço-os bem e a eles me confio. Se me disserem, “feche os olhos”, fecharei os olhos. Se me disserem, “despe-te”, dispo-me.
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5 respostas a O que ouvi dizer que me vão fazer em 2012

  1. António Eça de Queiroz diz:

    A Tia está diabíssima!
    (e cresceu imenso)

  2. Carla L. diz:

    Mas assim acho que precisarás de uma coleção inteira de vestidos, mesmo que seja para despí-los depois.

  3. Luciana diz:

    Um lindo vestido, gosto imenso do decote. Mas quase ofuscado pelas sussurrantes notícias…Um 2012 de lindas tristezas.

  4. Bernardo Vaz Pinto diz:

    Words , words , words…antes do desenlace final… Do esperado e desejado “despe-te” que venham ainda as palavras, os textos, as historias… Um grande 2012 por extenso….

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