Vão levar-me. Por onde me vão levar, ainda não sei. Sou a “Escrever é Triste”. Pelo desenho da letra bem se vê que sou menina.
Levam-me. Ainda mal os conheço, nove rapazes e três raparigas. Confio-me neles. Se me disserem, “feche os olhos”, fecharei os olhos.
Gostava que me levassem onde nunca fui: somewhere i have never travelled, como no verso de um americano. Que me fizessem sentir uma alegria trémula, mesmo o sabor de uma glória efémera.
Prometeram escrever-me, desenhar-me e fotografar-me. Deixo que me toquem e se disserem “despe-te”, dispo-me.
Espero que me façam rir. É verdade que não me rio de qualquer coisa. Mas sorrio de muitas. E – de vez em quando uma lágrima – que me façam também um bocadinho de choro.
Sobretudo, espero que me escrevam, desenhem e fotografem com uma elegância desumana, tão alumbradamente desumana que mesmo não estando de acordo, não saiba, nem queira saber, porque é que não estou de acordo.
Vejo-os a vir. Três raparigas à frente, nove rapazes atrás. Rezo baixinho e tudo em minúsculas: “que o mais trivial dos gostos deles seja gostar de chet baker e de filmes mudos suecos.” Que digam palavras como uma árvore de lâminas, façam gestos como ciprestes em chamas, porque o óbvio é o cemitério da vida.
Se, menina, me levam, não me levem só de casa dos meus pais: levem-me, moça, no barco que passa sobre a espuma amarga do quotidiano dos jornais, do ressentimento e da sopa fria.
Dizem-me, és a “Escrever é Triste”. Dizem-me: vem aí um pequenino bando de leitores. Vão, letra a letra, olhar para ti e ler-te. Para quem venha, esses leitores, logo penso um desejo em verso: Mal nos conhecemos inauguramos a palavra amigo!
Sou a “Escrever é Triste”. Tenho fulgente caligrafia de menina e o esplendoroso destino de ter começado a nascer agora mesmo. Vou nascer interminável, ininterruptamente: de cada vez que me escrevem e desenham, de cada vez que me leiam. Deixar de nascer é a minha morte. Escrevam-me. Com toda a alegre tristeza do mundo.

Posso entrar, menina?
Seja bem vindo (onde é que ainda se fazem meninos tão bem educados!)
chegou. um riso lavado em lágrimas.
um sorriso de água, não é?
A menina dança?
Valsa?
Que linda… bem-vinda. Sabia que o mundo é feito de letrinhas?
letrinhas de massa, disse a mamã.
Tropeçar intencionalmente nesta entrada.
Ficar abazurdida com a … ‘voz dos teus olhos’
Obrigada EeT
já me tinham dito que era assim que a rita falava: a menina dos olhos.
Bem, o melhor agora é acordá-la…
tem a certeza, antónio, de não se querer deitar um bocadinho?
Menina bonita, e é o mesmo autor, em outros e mesmos versos, que te traduz:
” Nada podemos perceber neste mundo que se iguale
ao poder da sua intensa fragilidade: cuja textura
me constrange com a cor de seus continentes,
invertendo a morte e para sempre com cada respiração“
PS. Começa a chegar o pequenino bando de leitores.
leitores? eu diria um bater de asas…
Ora seja bem aparecida quem é uma flor!
E aposto que vai animar-se, menina. Os seus doze babysitters vão tratar disso, tenho a certeza.
umas delicadas pétalas estes meninos…
Rei, capitão, soldado, ladrão. Olá, menina bonita do meu coração.
Vais ver que não te deslargam.
todos me querem, aqui d’el rei
Diz-se de alguém que é especial, que tem significado ímpar, de quem realmente se gosta, que é a “menina dos olhos”. Pois. Bons olhos te vejam chegar. Sendo-me completamente desconhecida, sinto um ternura de reencontro. Que chore e ria, fizeste os desejos acertados. Virei sempre espreitar-te, mas não garanto a sisudez. Partilho, de começo, uma descoberta: só pra onde nunca se esteve é que se pode regressar.
onde nunca fui, eu que não venho de lado nenhum
Sê bem-vinda!
sou. também
Nascer menina, que linda!
Conte comigo para a embalar.
~CC~
a ~cc~ canta?
Bem-vinda, Escrever é Truste da Silva! Quer dizer, Triste, Triste, claro, claro, etc.
Triste é viver na solidão/ Na dor cruel de uma paixão/ Triste é saber/ que ninguém pode viver de ilusão/ Que nunca vai ser, nunca vai dar / O sonhador tem que acordar/ lá, lá, ri, lá, ra, ra…
ah, aquela triste e leda madrugada… ah, Que amor, que sonhos, que flores,/ (que noites, que motéis)/ Naquelas tardes fagueiras/ À sombra das bananeiras/ Debaixo dos laranjais!
por outro lado, convenhamos, Dona Triste, cummings é um bocado versátil — e não será versátil literal demais adjetivo(??):
http://afetivagem.blogspot.com/2008/02/velha-conversa-anti-cartesiana-entre.html
[uau!]
2 *) 0—-»* –3 <T # (*3 (-: [uau!]
trouxe o violão menino do rio?
Seja assim sempre triste que a sua tristeza é a nossa alegria!
alegre da tristeza que a si roubar
Então, que seja bem-vinda, menina, e entristeça muito para dar alegrias aos leitores.
até porque não é alegre que alguém se faz triste
então bonjour, tristesse (porque os clichés soam sempre melhor em francês)
Bonjour, bonjour monsieur et merci bien. Qu’est-ce que c’est bon votre “des femmes des apôtres”.