Se queres ser um escritor

uma torrente, um terramoto

Há sempre outra forma de dizer as coisas. Há muitos anos, Michel Leiris, um francês esquecidíssimo, ensinou e, por um feliz acaso de leitura, ensinou também ao “eu” que eu era aos 18 (?) anos, que a escrita é uma forma de tauromaquia – como o amor, a foda do amor. Escrever é expor-se: um tipo escreve como um matador dança à frente de um touro em pontas. Se o touro marra um tipo esvai-se em sangue. Para delicadezas é melhor que se escolha outro ramo.

Hoje, soube que Bukowsky, o orgânico Bukowsky, deu (talvez não exactamente como Rilke) um pequeno e delicado conselho a todos os futuros escritores. Ouvi-o e, para castigo, ficarei a ouvi-lo toda a noite.

Sobre Manuel S. Fonseca

O meu maior medo é que a morte seja tudo às escuras sem se poder ler. Pouco interessa deixar de ser humano, desde que não deixe de ser leitor. Ler é do mais feliz que tenho. Até porque escrever é triste.

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8 respostas a Se queres ser um escritor

  1. manuel s. fonseca diz:

    Não percebi: vem de toureiro ou santinha? Desça lá do andor e passe um raspanete ao Bukowsky que a culpa é dele.

  2. Pedro Norton diz:

    porra! muito bom.

  3. manuel s. fonseca diz:

    Pedro, isto mete-nos num vai-vem desesperante: quero ser… ah, não consigo, quero ser, ah, não consigo… o que me faz pensar no desabafo da velha e virgem condessa francesa na noite de núpcias: ah monsieur, oh bien que vous entrez, oh bien que vous sortez, mas arrêtez, s’il vous plait avec ce va et vien ridicule…

  4. Diogo Leote diz:

    Uf! Ainda bem que não aspiro mais do que ser um modesto escrevedor.

  5. Bernardo Vaz Pinto diz:

    Duro o texto como o autor…a primeira vez que ouvi falar do homem foi no filme de Marco Ferreri “storie di ordinaria follia”, que me fez pensar uns dias.
    Sem cedências…não é artista ou escritor quem quer…

  6. António Eça de Queiroz diz:

    Isto é perfeito e muito perturbador.

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