Não é preciso ler o último Vargas Llosa* (editado cá, pelo menos) para se chegar ao conhecimento dessa especial característica que os trópicos dão ao sexo: a sua generosa urgência vivida no colectivo.
Em primeiro lugar, e a razão é boa para este top, basta ter lá estado alguma vez para lhe ter sentido o fermento. Depois, o empirismo mais elementar dá conta de que o Norte europeu sempre demandou os meridianos do Sul em busca daquilo que só com dificuldade encontrava em casa (com todos os géneros no pacote, não se pense que sou machista que não sou).
Na posição de quem já viveu por tais latitudes dou um exemplo prático, objectivo, material, que pode ser atestado (quero acreditar que sim) pelo nosso querido líder de passado angolano, e que comprova um pouco mais a verdade desta mini-tese.
Em Luanda havia um prédio que tinha uma alcunha bem curiosa: era o ‘Treme-treme’. O que caraterizava o ‘Treme-treme’ para que todo o luandense e muito forasteiro de retorna-viagem o conhecessem assim tinha a ver apenas com duas particularidades: o grosso dos seus habitantes eram mulheres novas e sózinhas (ou nem por isso) e o grosso dos seus visitantes ou hóspedes temporários demandava o local com objectivos bem vincados.
Pois, isso mesmo, não há qualquer necessidade de maiores explicações, também acho.
E era isso o ‘Treme-treme’…
Por estas e por outras tenho grande dificuldade em imaginar a ‘curta’ que está aí em baixo feita por outros que não por brasileiros — em especial com tanta graça e à vontade.
É que não é só a tal urgência generosa: há também um texto e, acima de tudo, uns actores.
Riam-se lá um bocado, seus (meus) tristes!
*(diachos, só agora reparei que nem falei do livro: é O Sonho do Celta e é um romance biográfico pesadelicamente bom)

António: simplesmente genial!
Só podia ser feito por brasileiros!
Ainda bem que gostou, caríssimo Cardeal!
J’ai bien aimé, mon cher poète.
(Agora, António, confessa: este prédio tão instável que tu frequentaste não seria um pudim, o teu amûse-bouche!)
Só vi ao longe, muito ao longe, meu bom Líder.
Aquilo era para gente de grandes galões e trincheira, e eu não passava dum pobre franco-atirador
Benedito, que tragicomédia!!!
Aposto que ficaram com dó do Horácio…mas coitada mesmo é da Maria Helena.
E falando em Treme Treme, São Paulo também teve um: http://epoca.globo.com/edic/20001106/boxbrasil4_5a.htm
Sim, Carla, a Helena é a esforçada, o Horácio um canastrão.
Mas olha que o ‘Treme-treme’ de Luanda era prédio caro, nada decrépito — embora tenha ideia de que houve lá um crime também, pelo menos um!
Aquilo era coutada de milionários…
Fenomenal — isto nem na casa dos budas ditosos.
Ainda bem que gostou, caro Eco
Ahahahahahahahos cornos cavernososahahahahahamaria helenaahahaha.
(Genial, António. E sério candidato ao filme menos erótico do mundo)
Já ganhou mesmo!
Ainda bem que gostou, Teresa.