A B C D E = Monocle

Tyler Brûlé é o super media guru que em 1996 criou a über glossy e estilosíssima revista Wallpaper. Aparentemente imaginou-a toda em 1994 – diz-se que durante um sonho de barbitúricos – enquanto se encontrava internado num hospital no Afeganistão, depois de ter ficado ferido num ataque ao Jeep que guiava nos arredores de Cabul como enviado especial da Alemã FOCUS. Eu chamar-lhe-ia uma pedrada e uma convalescença de 1,6 milhões dólares que foi quanto lhe pagou a Time Inc em 1997 pela revista, menos de um ano depois da edição do seu primeiro número. Hoje, tendo passado alguns anos, Brûlé é o editor-in-chief  da MONOCLE, publicação definida por muitos como “the Economist meets Wallpaper”. Brûlé é um very sophisticated media type daqueles com uma ambição desmesurada de world domination e uma simétrica obsessão compulsiva de dar ao seu MONOCLE – e a toda a indústria que criou à sua volta – um global footprint que faça enrubescer todos os outros editor-in-chief do globo. A sua target audience são os outros media types como ele, os trend setters e os jet followers, os travelling globetrotters, os fashion conscious, e todos os outros HNWI´s* do globo.

Sei que tudo isto é um universo de gentes –ou End Customer Ecosystem, como lhe chamam hoje em dia os tais HNWI´s – de fazer torcer o nariz aos amigos do OCBWS (Occupy, Close and Burn Wall Street) mas no entanto, e embora o velhinho The Economist pertença a toda uma outra liga, a sua mundana MONOCLE é mesmo irresistível. São acutilantes os Affairs internacionais da secção A, é fiscal o Business acumen da B, desmesurada a Culture da C, curvilíneo o Design da D e por fim requintados e finos os Edits da secção E.

Pessoalmente, acho que só lhe faz falta uma secção F – de arrojada Fiction – mas para isso e para sorte dos nossos global super readers, estamos cá nós, os do EéT.

*High Net Worth Individuals – directamente deste extraordinário SSTLS.

PS: Mais MONOCLE aqui.

Sobre Vasco Grilo

Quando era rapazola dei demasiadas cabeçadas com a minha pobre caixa de osso. Hoje, como deliciosa consequência, encontro a minha razão intermitente como uma rede WI-FI, sem fios nem contrato fixo. Por vezes suspeito que a minha alma seja a de um velho tirano sexista e sanguinário, prisioneiro no corpo perfumado e bem-falante de um jovem republicano. Mas talvez eu seja só é um bocado sonso. A cidade para onde me mudei no final do século passado chama-se Aerotrópolis. Daqui partem todas as estradas e para aqui todas elas confluem. Em seu redor e para minha sorte, está um mundo que é grande e ainda muito comestível. Creio que a verdadeira felicidade possa causar uma certa tristeza. E por isso e só por isso, aqui, escreverei.
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4 respostas a A B C D E = Monocle

  1. Vasco Grilo diz:

    Invente, que este senhor dá pano para mangas…

  2. Bernardo Vaz Pinto diz:

    Vasco devo dizer que com tanta sigla e sofisticação fico um pouco constrangido…mas ele há pessoas assim que furam a vida e obrigam a que os outros lhe sigam as pegadas, mesmo que não calcem o mesmo número de sapatos…

  3. manuel s. fonseca diz:

    Hey Diogo, calha não calha, lá compro uma (custa um dinheirão o raio da Monocle). Para o meu gosto de leitura, a quadrícula nem sempre me serve bem, mas continuo a fazer um esforço…

  4. Pedro Marta Santos diz:

    Vasco, cometi a loucura – natalícia – de comprar a prnúltima “Monocle”, sobre o “World’s Soft Power” (Portugal não sai péssimo do retrato, o que não abona a favor da lucidez dos jornalistas da publicação), e tem lá um artigo sobre uma revista que me parece ainda melhor do que o altivo monócolo: é francesa e chama-se “XXI”. Já é visita de tua casa?

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