Des-cobrindo Fiona

Descobri-a, conhecendo-a antes de saber quem era, por acaso, como tantas coisas na vida. Uma voz que se escondia por detrás de outra voz barítona de idade e doença essa do J. Cash.  A força não é de agora, lançou o primeiro álbum em 1996,  foi-se assumindo entre uma voz forte e segura e composições originais  suas. Lembra a lânguida Patricia Barber,  mas não se deixem ficar pelos enormes olhos verdes que embarcam todo um oceano. Esta não é a menina bonita que sonha ir para Hollywood…see it for yourselves

Sobre Bernardo Vaz Pinto

Não conseguiria nunca ser bailarino actor ou cantor sem aquela coragem segura que lhes permite não desfalecer sob os olhares escondidos de qualquer audiência. Prefiro esconder-me sob uns traços gordos de um lápis de lâmina macia, em fundo branco de papel, acarretar a velocidade lenta de uma qualquer construção que se faz colocando pedra sobre pedra. Ou passar tempo a decifrar, agora por detrás destes óculos de vidro, caligrafias de ficção e poesia, que acabam por aparar a nossa existência, e até moldá-la, abrindo portas a novos sonhos e realidades que não vislumbrávamos até à data. A música. Negra, principalmente riscada nos pântanos de new orleans, e no fumo gelado do south side de chicago. O jazz num solo de Baker, o Miles de pés e mãos marcadas pelo tempo e pelos abusos num concerto em Tokio onde a língua falada era mesmo a música. E Bach. E sempre Bach. De resto, pouco mais, entre a vontade de sonhar a vida e o sonho de vivê-la. O olhar da estrada que passou que ilumina o caminho incerto do futuro. A vontade de expelir para fora o ar que nos fica preso cá dentro.
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4 respostas a Des-cobrindo Fiona

  1. Rita V diz:

    Tão contente que fiquei quando percebi que tinha a certeza que ía gostar
    não posso gostar mais …
    😛

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