Indochina, mon amour III

Em Janeiro, na região montanhosa de Sapa, faz um frio dos diabos. Hanói ficou para trás. Doze horas de comboio, dois dias a caminhar à chuva e os pés feitos num oito. Só o Rio Vermelho me separa da China. É de mim que troça? É um sorriso que esconde de olhos em bico? Não vou chegar a saber. O segredo por trás da mão de menina ficou congelado naquele eterno instante e quando a terra voltou a girar ela tinha desaparecido para sempre no bulício do mercado.

Ficou-me a absoluta certeza de que em Hmong o sorriso se diz com todas as cores.

Sobre Pedro Norton

Já vos confessei em tempos que tive a mais feliz de todas as infâncias. E se me disserem que isso não tem nada a ver com tristeza eu digo-vos que estão muito, mas muito, enganados. Sou forrado a nostalgia. Com umas camadas de mau feitio e uma queda para a neurose, concedo. Gosto de mortos, de saudades, de músicas que nunca foram gravadas, de livros desaparecidos e de filmes que poderiam ter sido. E de um bom silêncio de pai para filho. Não me chamem é simpático. Afino.
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7 respostas a Indochina, mon amour III

  1. Carla L. diz:

    A primeira está rindo da sua reação ao dar de cara com a Belle de Jour.E a segunda observa atentamente os modos da loira ocidental.

  2. manuel s. fonseca diz:

    Sente-se o frio no rosto da menina da direita e a harmonia ds duas com o Inverno à volta.

  3. Pedro Marta Santos diz:

    Até que enfim, as excelentes fotografias. Faziam falta.

  4. Pedro Norton diz:

    ps: obrigado. já tinha saudades

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