Indochina, mon amour VI

A cidade imperial de Hué tinha ficado já na estrada da minha memória. O sol apareceu, de repente, sem aviso, já a tarde se fazia fim de tarde. Os sorrisos, as bocas improváveis de ouro e banana, iluminaram-se, mais soltos. Mas talvez porque Hoi An fique em pleno Vietnam central, vilarejo trepidante de desencontradas culturas onde o Norte e o Sul perdem qualquer sentido, eu não conseguia deixar de imaginar os horrores enterrados que aqueles olhos escondiam.

Sobre Pedro Norton

Já vos confessei em tempos que tive a mais feliz de todas as infâncias. E se me disserem que isso não tem nada a ver com tristeza eu digo-vos que estão muito, mas muito, enganados. Sou forrado a nostalgia. Com umas camadas de mau feitio e uma queda para a neurose, concedo. Gosto de mortos, de saudades, de músicas que nunca foram gravadas, de livros desaparecidos e de filmes que poderiam ter sido. E de um bom silêncio de pai para filho. Não me chamem é simpático. Afino.
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7 respostas a Indochina, mon amour VI

  1. Rita V diz:

    Nem me atrevo a brincar com o Dr. White

  2. Vasco Grilo diz:

    Sim. Tudo cáries juvenis tratadas com particular aprumo pelos reputados dentistas do Smithsonian, os Doutores Kissinger e McNamara.
    Grandes fotos Pedro.
    Abraço.

  3. manuel s. fonseca diz:

    Enterraram o medo e abrem a boca ao presente. Parecem-me sorrisos saudáveis.

  4. António Eça de Queiroz diz:

    Gosto muito do sorriso iluminado, por isso mesmo.

  5. Carla L. diz:

    São sorrisos largos, mas que mesmo assim não conseguem esconder as marcas lá do fundo de seus olhares.Cada qual traz uma expressão no olhar, que muito além da superfície, traduzem sofrimento. E que vc, PN, captou magistralmente, como um raio X.

  6. Ana Rita Seabra diz:

    Sorrisos iluminados e a expressão de cada olhar toca-me!
    Belíssimas fotos Pedro

  7. Paula Ferreira diz:

    Ou a imensa capacidade de ser feliz, apesar dos “horrores enterrados”…

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