Indochina, mon amour VII

E de repente fez-se Cambodja, Kampuchea, o que queiram chamar-lhe. Se há sítio que convoque todos os horrores da humanidade é este. E no entanto, no lugar das ossadas, no lugar mesmo onde caíram tantos dos seus, no lugar de todos os infernos, ei-los que pairam como se não houvesse ontem nem tivesse que haver amanhã. Fantasmas laranjas de tão silenciosos, almas penadas esculpidas na memória de pedra e selva.

Sobre Pedro Norton

Já vos confessei em tempos que tive a mais feliz de todas as infâncias. E se me disserem que isso não tem nada a ver com tristeza eu digo-vos que estão muito, mas muito, enganados. Sou forrado a nostalgia. Com umas camadas de mau feitio e uma queda para a neurose, concedo. Gosto de mortos, de saudades, de músicas que nunca foram gravadas, de livros desaparecidos e de filmes que poderiam ter sido. E de um bom silêncio de pai para filho. Não me chamem é simpático. Afino.
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12 respostas a Indochina, mon amour VII

  1. manuel s. fonseca diz:

    Gosto dos crâneos. E muito do último em contra-luz: para além da vida. Mais ainda do que das cabeças lisamente inocentes dos dois adolescentes

  2. PN, que beleza. Sou uma pessoa do preto e branco, mas esta cor é um deslumbramento.

  3. Pedro Marta Santos diz:

    Estes é que a sabem toda. Daqui a mil anos, apresentarão a mesma serenidade.

  4. Benrardo Vaz Pinto diz:

    Perante estas imagens as palavras escondem-se no silêmcio

  5. Pedro Norton diz:

    São como as suas palavras.

  6. Paula Ferreira diz:

    Não se o que prefiro, se fazer a sua viagem, ou ver o esse mundo através dos seus olhos. Parabéns! Sabe que laranja é aminha cor preferida!

  7. teresa conceição diz:

    Estou a gostar tanto de refazer esta viagem. Como se nunca a tivesse feito: cada fotografia conta uma viagem diferente. Não me apetece que chegue ao fim.

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