Samoa resgata reputação de Umberto Eco

Num gesto de elevado civismo intelectual e de enorme atenção ao mundo blogueiro, o estado independente de Samoa renegociou recentemente com a Terra o seu meridiano, tornando-se assim no primeiro país do planeta a comemorar a entrada em 2012. Comprova-se pois a teoria desenvolvida por Umberto Eco em 1994 sobre a existência de uma ilha do dia antes
Professora Paula Marantz Cohen: tome lá e embrulhe.
Oh Brown, Dan, e tu meu rapaz, tu que provaste?!…

 

Sobre António Eça de Queiroz

Estou em crer que comecei a pensar tarde, lá para os 14 anos, quando levei um tiro exactamente entre os olhos. Sei que iniciei a minha emancipação total já aos 16, depois de ter sido expulso de um colégio Beneditino sob a acusação – correcta – de ser o instigador dum concurso de traques ocorrido no salão de estudo.
E assim cheguei à idade adulta, com uma guerra civil no lombo e a certeza de que para um homem se perder não é absolutamente necessário andar encontrado.
Tenho um horror visceral às pessoas ditas importantes e uma pena infinita das que se dizem muito sérias. Reajo mal a conselhos – embora ceda a alguns –, tenho o vício dos profetas e sou grande apreciador de lampreia à bordalesa e de boa ficção científica.

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15 respostas a Samoa resgata reputação de Umberto Eco

  1. isabel castro monteiro diz:

    Com concurso ou sem ele não vejo o querido António Benedito…beneditino.
    Conselho 1: venha a Sintra e
    conselho 2:cozinhe aqui lampreia à bordalesa

  2. António Eça de Queiroz diz:

    Tem razão, Isabel, eu de bentinho tenho realmente pouco.
    Adorarei ter a oportunidade de seguir todos os seus conselhos – à letra!
    Mil beijinhos!!! Bom ano!!!

  3. Ruy Vasconcelos diz:

    ah, uma ilha do dia antes! bem lembrado, antônio. indica algo como se também pudéssemos antecipar meridianos na vida pessoal. ia ser sopa no mel. meridiano. samoa. belas palavras. samoa parece a terceira pessoa do verbo samoar. se ele existisse.

    não entendi o “claro” no contexto “atrás do sport, benfica e porto, reticências. mas tudo baim!

    um FELIZ e PRÓSPERO 2012, António!

  4. António Eça de Queiroz diz:

    Samoar? Mas samoar já existe! Se o escreveste aqui mesmo, agorinha, com descrição, enquadramento, e tudo…
    O meu «claro», se bem me lembro (ando um bocado anemésico), deve-se ao facto de aqui existirem por usocapião uns chamados ‘Três Grandes’; logo, estando o Braguinha num magnífico 4º lugar, faz mais sentido que esteja atrás dos Três Grandes que dos três pequenos ou dos três do meio…
    UM ÓPTIMO ANO, RUY!

  5. Bernardo Vaz Pinto diz:

    A ficção acaba por ser sempre surpreendida pela realidade…afinal. Não sendo um grande seguidor do Eco concordo e regozijo com o resgate…as suas “Viagens na irrealidade quotidiana” e o ensaio “Arte e Beleza na Estética Medieval” continuam a ser referências….até breve…

    • António Eça de Queiroz diz:

      Ele tem um outro ensaio muito divertido, chamado ‘O super-homem das massas’, os ‘Diários mínimos’ (textos de imprensa, na maioria’. Sempre gostei, e este ‘A ilha do dia antes’ é muito interessante, como romance histórico, além de completamente hilariante.

  6. O Eco de Umberto diz:

    Ele sabia…

  7. Monsieur Antoine, mas que coisa tão bem pensada. Eu, que sou uma umbertoecoiana, já tinha mandado a Professora Marantz Cohen dar uma volta, mas nem me tinha lembrado de um argumento destes.

    Adenda 1: Ela será prima da Raquel Cohen, esse lírio de Israel?

    Adenda 2: (à amável atenção de Mr. Nuno Rodrigues da Costa) por que razão é que esta pobre comentadora mal consegue ler o comentário que escreve, uma vez que as palavras estão quase transparentes, até parece tinta invisível? É de propósito?

    • António Eça de Queiroz diz:

      Ivone, tenho de fazer justiça à minha filha Joana, pois foi ela que me assinalou a coincidência…
      Já do lírio Cohen nada sei, mas…, não está mal visto!

    • manuel s. fonseca diz:

      Ivone, passei a ter o mesmo problema. Tinta invisivel. Enquanto a coisa não se resolve, faça uma coisa: seleccione o que está a escrever passando o rato por cima. Vai ver, que consegue ler tudo…

  8. Teresa Conceição diz:

    Que observação certeira, António.
    E como se torna poética esta reviravolta.

    Ruy, fica assim pronto para uso o verbo samoar:
    é quando se dá uma volta ao globo e se chega antes, quando se era último e se passa a primeiro. Ou quando se termina uma relação e ela recomeça no mesmo dia,
    como se fossem outras as pessoas.

    • António Eça de Queiroz diz:

      Também achei isso, Teresa. E sabe, eu já tinha samoado antes, só que não sabia…

  9. manuel s. fonseca diz:

    Grande reflexãoAntónio! E o Eco também é de Samoa? Será ele o escritor do dia depois? Já agora, e atendendo ao nosso meridiano, Portugal é o país do século que nunca há-de vir?

    • António Eça de Queiroz diz:

      Manuel, acho que não! Mas talvez gostasse, quem sabe.
      Portugal, acho, é do século que nunca foi (o que não quer dizer que não possa vir a ser um dia, valha-me o optimista irredutível que me divide o coração…)

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