Textos imprestáveis #1 (o estranho caso das tartarugas ninja)

La Fornnarina... tanto calor pode matar!

A bem dizer as tais tartarugas não me interessam nem um bocadinho, sejam as personagens de série de animação ou, menos ainda, as suas aventuras. Se fosse o Bugs Bunny, ou o Daffy Duck, aí já não diria nada.
A anarquia destes dois lembra a de Groucho Marx e isso é muito bom.
Até porque há sempre uma ligação cultural que se cola a tudo o que é feito, mesmo quando esse elo não é de todo reconhecido por quem faz. A associação que estabeleço entre o Super Homem (o que eu detesto super-heróis!) e o estado policial de J.Edgar Hoover, ou a outra que estabeleço entre Tim Tim e a patetice administrativa e exagerada dos franceses, podem ser completamente ilegais mas existem abençoadas silenciosamente na sombra por Lex Luthor e Dupont & Dupond – vivem à solta dentro de mim sem que lhes possa ter mão.
Talvez que um descontrole semelhante tenha assistido ao crescer conspirativo da teoria que dá por certa a  evangelização subliminar do marxismo através dos Schtroumpfs. Para mim isto é óbvio (até o Umberto Eco se debruçou sobre estes bonecos, vejam lá!).
Já os quatro antropotestudinosos com nomes italianos só me interessam devido exactamente aos seus nomes: quatro dos maiores génios da Renascença foram escolhidos pelo criador de uma série juvenil  para incarnar nuns bicharocos verdes, que, para cúmulo, combatem o crime onde quer que ele se manifeste.
Não há grande paciência, convenhamos, e talvez por isso já ninguém revê a série – enquanto os Looney Tunes atingiram a imortalidade.
No entanto o porquê da escolha se tais nomes deve existir em algum lado.
Por isso vou tentar encontrá-lo.

Na minha pose de antropólogo muito amador a dimensão da verdadeira arte de cada destes génios de nome modernamente reutilizado não me preocupa: eram todos magníficos e isso chega-me. O que me interessa neles (ou antes, passou a interessar depois da minha filha me pregar uma lição objectiva de história de arte, durante um jantar) é o aspecto exemplar das suas vidas agitadas.
Fiquei a saber algumas coisas que já desconfiava: eram uns devassos completos e apenas um não era homossexual. E outras que desconhecia de todo (à excepção do caso particular de Michelangelo, pois já o sabia um bom filho-da-puta): o carácter revelado pelo tipo de relacionamento de cada um e de todos.
Começo pelo que sempre me agradou mais: o grande inventor do guardanapo (sim, Leonardo).

Salaí, o porquito

Filho bastardo da nobreza de Vinci, foi preso aos 14 anos com um dos seus primeiros namorados por actos públicos atentatórios da moral mais ou menos visível. A sua sorte foi que o amante de ocasião era jovem príncipe, como tal não podia ser preso. Donde, por defensivo mimetismo social, Leonardo também não ficou na pildra.
Bem mais tarde, já artista reconhecido, toma por amante e modelo um belíssimo sacaninha da pior espécie: um tal Gian Giaccomo ‘Salaí’ (à letra: porquito, pequeno demónio), que o roubava e traía a torto e a direito – entre mil outras patifarias do século.
No entanto, apesar do nome que lhe traía a índole, Salaí foi companheiro de Leonardo até ao fim: vivia na casa de campo do artista na altura da morte deste, tendo herdado as suas vastas vinhas e a Mona Lisa, que na altura foi avaliada em 505 liras (uma pipa de massa). Leonardo morreu em Paris, onde flanava com um outro namorado, o conde Francesco Melzi – que acabaria por herdar uma série de quadros e os seus diários científicos (espólio que acabaria roubado por um amante de ocasião que Melzi mais tarde meteu em casa).
Importa ainda lembrar que Leonardo tinha uma personalidade mais extrovertida do que seria de imaginar pelo que dele transpiram os resumos de História: nos dias de hoje, atendendo à forma espaventosa de se vestir (mesmo já velho) e de se relacionar, dir-se-ia dele com a leveza dos julgamento modernos que era uma autêntica bicha louca.

No lado oposto encontramos o misógino e maltrapilho Michelangelo Buonarrotti, e a principal vítima do seu feitio tumultuoso: Tommaso dei Cavalieri, um jovem nobre que a tudo renunciou por amor – e a quem o autor de David tratava muitíssimo abaixo de cão.
O Michelangelo comportamental era uma besta invejosa, pretensiosa, má: dos três da mesma geração (Donatello morreu 40 anos antes destes factos) era o único que nunca foi amigo de nenhum dos outros, e a sua inveja social demonstrou-a bem quando o quadro A Academia de Atenas, de Raffaello Sanzio (o Rafael do quarteto), que exibia no topo da figura central de Sócrates a face de Leonardo, foi instalado na sua Capela Sistina.

Mas Tommasio pôs-se a jeito!

Morreu riquíssimo, completamente em desacordo com o seu estilo de vida, deixando o seu fiel amante na mais soturna miséria – porque o beneficiário do artista seria afinal um seu sobrinho, que ficou encarregado de conseguir com a herança um título nobiliárquico para a família Buonarrotti .
Um caso imprestável e indigno de vingança social póstuma, está bom de ver.

Para o bem e para o mal, surge, por ordem de grandeza, o excelente e fugaz Raffaello de Sanzio. Filho de artista da corte de Urbino e protegido de vários papas, era um heterossexual hiperactivo. Faustosamente instalado na corte pontifícia por Julio II – que lhe encomendou vasta obra e muito gostaria de o ver casado com uma sobrinha do cardeal Medici Bibbiena –, o bom do Raffaello não era um perfetto cortigiano como o seu grande amigo D. Miguel da Silva, bispo de Viseu, diplomata de D. Manuel I e entusiasta, hoje quase ignorado, da cidade do Porto (Baldassare Castiglione dedicou-lhe a sua obra mais conhecida, exactamente Il Cortegiano). Isto tudo porque pelo meio da copiosa arte e das múltiplas aventuras amorosas, Raffaello torceu o nariz à putativa noiva Medici, ao mesmo tempo que concubinava no quarto ao lado do papa com a sua favorita Margherita Luti, la Fornarina (padeirinha à letra, por ser filha de um padeiro) –, sonhando a espaços fazer-se eleger cardeal.
Nada doido, portanto.
Morreu novo, dans son champ de bataille – qui était son lit.
De facto, aos 37 anos, numa Sexta-feira Santa, alegadamente no seu aniversário, teve uma noite de sexo de tal forma ardente com a Padeirinha que ficou doentíssimo. Como não quis explicar  o que se passara ao certo (cheira-me a cantáridas…), trataram-no de modo a morrer da cura.
Mas deixou boa fortuna à amante, nada de confusões…

Para acabar, e com bem pouco brilho, diga-se, resta Donnatello – um renascentista primitivo que morreu vinte anos antes de Raffaello nascer. Homossexual assumido e assim bem tolerado, não lhe é conhecida nenhuma extravagância de carácter. Dava-se bem com toda a gente e os seus amores não ficaram na História.
Era portanto um chato – embora gajo porreiro.
Acabada a salada, perdura o espanto: o que terá levado estas quatro personagens da cultura mundial ao panteão do cubo mágico na casca dumas efémeras tartarugas mutantes armadas em espertas?!…
Isso sim, espanta!

O resto foi sempre assim.

ps – Já depois de ter escrito esta rábula espácio-temporal, a Joana (minha filha) tentou explicar-me o inexplicável: que, de acordo com a ratazana Sensei  (pai espiritual das tartarugas ninja, sublinhe-se), o uso de tais nomes resultava do facto de ele, ratazana Sensei e pai espiritual das tartarugas ninja, muito admirar as obras dos senhores a quem roubou o nome. O que, segundo a minha informadora privilegiada, reflecte simplesmente a intenção do próprio criador da série.
Claro que não me convenceu. Na melhor das hipóteses o tal criador limitou-se a usocapiar uns nomes sonantes para dourar a fraca pastilha. Ou seja, mero publicismo – e isto numa boa. Porque se não for!… (honi soit qui mal y pense, mas quase parece coisa de militância gay…).
Devemos desconfiar sempre do politicamente correcto.
Sempre.

 

Sobre António Eça de Queiroz

Estou em crer que comecei a pensar tarde, lá para os 14 anos, quando levei um tiro exactamente entre os olhos. Sei que iniciei a minha emancipação total já aos 16, depois de ter sido expulso de um colégio Beneditino sob a acusação – correcta – de ser o instigador dum concurso de traques ocorrido no salão de estudo. E assim cheguei à idade adulta, com uma guerra civil no lombo e a certeza de que para um homem se perder não é absolutamente necessário andar encontrado. Tenho um horror visceral às pessoas ditas importantes e uma pena infinita das que se dizem muito sérias. Reajo mal a conselhos – embora ceda a alguns –, tenho o vício dos profetas e sou grande apreciador de lampreia à bordalesa e de boa ficção científica.
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32 respostas a Textos imprestáveis #1 (o estranho caso das tartarugas ninja)

  1. Rita V diz:

    nem a Kryptonite tirava a força a este texto
    😀

  2. Bernardo Vaz Pinto diz:

    Caro António, que bela lição de historia e costumes sociais …o que se escondia por detrás dos grandes pórticos e quadros renascentistas!!! Eu sempre pensei que Caravaggio tinha sido o grande pulha, mas vou ter de rever as minhas fontes, e informar-me sobre as Ninjas…

    • António Eça de Queiroz diz:

      Bem, e o Caravaggio era realmente um grande pulha. Agora o Michellangelo, com aquele fatinho de águia (devia ser cá um fétiche!), o que ele não fazia ao pobre do Tommasino…

  3. Diogo Leote diz:

    António, o teu texto alterou para sempre a minha percepção de pelo menos três dos génios da Renascença (vá lá, escapa o Donatello, que tu pintaste mais cinzentão). Não sei se vou conseguir olhar da mesma maneira para a obra dos ditos. Receio, sinceramente, que, da próxima vez que me aparecer a Mona Lisa ou o Homem de Vitrúvio, me venha à cabeça o José Castelo Branco…

    • António Eça de Queiroz diz:

      Diogo, esses escrúpulos eu sinceramente não tenho, agora que a Mona em vez de Lisa podia ser Rasa, ai isso podia…

      • Rita V diz:

        pois … e há quem diga que a Mona era Mono
        🙂
        quanto aos Condes de Cordel … não fazem estremecer os Mecenas com ‘papel’ … e ainda bem!

  4. teresa conceição diz:

    António,
    eu nem fazia ideia que as Teenage Mutant Ninja Turtles tinham tais nomes, o que me vai fazer interessar por elas um bocadinho. E, ao contrário do Diogo, vou é passar a olhar para os mestres renascentistas ainda com mais interesse. Como é que com vidas tão agitadas produziram tanto e tantas obras beatíficas passa a dar-lhes uma aura ainda mais misteriosa.
    Belo texto que já prestou para tanto.

    • António Eça de Queiroz diz:

      Teresa, tenho mesmo sentimento em relação às tartarugas renascentistas: como foi possível tanta obra!
      Ainda bem que gostou!

  5. António Eça de Queiroz diz:

    Eugénia, sua castigadora! Obrigou-me a ir ao dicionário…

    • Rita V diz:

      António. Quero saber… qual escolheu?

      flabbergasted {adj.}embasbacado {adj. m.}

      flabbergasted {adj.} (também: aghast)pasmado {adj. m.}

      flabbergasted {adj.} (também: startled)surpreso {adj. m.}

      flabbergasted {adj.} (também: dazed)impressionado {adj. m.}

      ah ah ah

  6. Pedro Marta Santos diz:

    A Renascença e as Tartarugas Ninja é uma associação do caraças. E no reino do politicamente correcto – dois terços da blogosfera – este texto nunca passaria. O que só diz bem dele.

    • António Eça de Queiroz diz:

      Pedro, o teu comentário foi (verdadeiramente) o que mais me sossegou!
      Obrigado.

  7. manuel s. fonseca diz:

    Já comi muito caviar à conta das Tartarugas Ninja (e do Dragon Ball), essa obra-prima do cartoon contemporâneo, o que não me impede, António, de concordar com as tuas devassas biográficas. Mas tens a certeza de que a Padeirinha o era por ser padeiro o pai? Para ser a Padeirinha que em seu leito matou Rafael acho que não devia, para tal Padeirinha, haver pai.

    • António Eça de Queiroz diz:

      Dizia-se que era por ser filha do tal pai, mas admito que fosse por ser ela própria uma bem viva e amável fornalha…

  8. O Eco de Umberto diz:

    Só para destrunfar faz bingo: “Tim Tim e a pate­tice admi­nis­tra­tiva e exa­ge­rada dos fran­ce­ses”. O resto desiludiu-me, pois julgava que o Rafael tão carinha laroca de donzela de três quartos no auto retratinho pinoca que pintou também coiso e afinal nicles. Aliás é único que tem cara disso, os outros andavam de Harley.

  9. ELVER SAVIETTO diz:

    Sinto uma certa estranheza que pessoas estimule os filhos a saberem da História da Arte através de fatos pessoais da vida dos artistas, ainda mais quando estes, sinalizem um sistema de preconceitos incabíveis e reacionários, politicamente incorretos, principalmente na área da educação e formação de jovens. Com obras incontestáveis pela crítica mundial, os artista em questão são raramente lembrados por tais fatos, mas sem dúvida, pela relevância histórica de suas obras que o autor diz reconhecer. Em um mundo repleto de violência desmedida, autoritarismo diferenças sociais, prepotências de toda espécie, alimentar a homofobia é sem dúvida contra senso. Saber se a Mona Lisa era homem ou não, que relevância isto tem, diante do que a obra representa? Qual o sentido construtivo em saber se eles eram homossexuais ou se transavam com as primas ou, traíam seus amantes? Para a grandeza da obra, nenhuma, para a história, fofoca! Talvez não fosse a intenção do autor, porém as palavras on line tem uma penetração imensa justamente nos jovens, que hoje mais se formam não mais somente pela educação tradicional, da família e da escola ou academia, mas sim por textos lidos na internet, opiniões emitidas por amigos, artigos e similares, que mesmo não sendo intencional, talvez seja seu caso, acabam tendo mais força do que pensamos.
    Deixo claro que não sou homossexual e nem tenho pretensão em ser, sou casado, pai de dois filhos, professor universitário, com formação específica em Escultura e Cerâmica. Trabalho na área da Educação a 36 anos e acredito piamente na força e poder das palavras, que podem formar ou deformar.

    • Joana Eça de Queiroz diz:

      Ouça lá, seu merdas, eu sou Historiadora de Arte, adulta e vacinada, licenciada por uma Universidade mil vezes melhor do que a favela onde você diz dar aulas. Cresça e apareça, pedaço de nada!

      • Carmen Savietto diz:

        Joana, pena que a sua resposta seja triste ,super mal educada e preconceituosa. Em nossa Universidade( uma , entre outras disciplinas) aprendemos a argumentar com o “outro”, sem ofender ( fora a educação que já carregamos no “berço”, graças a Deus, pais que nos ensinaram isso muito bem). Não damos aula em “favelas”,como vc citou, mas o trabalho que outros colegas o fazem é magnífico! Mesmo sendo em “favelas”, onde o valor e a necessidade da educação é sentida. Somos de uma família de artistas, descendentes de italianos. E muito antes de entrarmos em uma Universidade, o contato da arte veio muitíssimo cedo. Já somos crescidos, e assim sendo, sabemos que cada um dá o que tem. Não é verdade ? Nós temos a nossa profissão ao nosso lado, educandos e educadores que nos respeitam, e mutuamente os respeitamos. As divergências de opinião sempre vão existir. Afinal, como diz o ditado, aqui no meu lindo país:”O que seria do azul se todos gostassem do amarelo ?” E, a totalidade de gostos acaba sendo burra. Então, que venham as diversidades: de raça ( VIVA!) , de culturas, (VIVA!), de escolhas sexuais (VIVA!) ! Mas o que não podemos perder, cara Joana, é sempre a educação. e a humildade. Boa sorte, para vc que perdeu esses ítens valiosos, ou não os acrescentou em sua bagagem, pois a jornada é pesada.Boa sorte, com sua “Universidade mil vezes melhor”.

      • ELVER SAVIETTO diz:

        Joana, sem dúvida sua Universidade deve ser uma maravilha, a melhor do mundo não? É o que todos dizem do lugar onde estuda ou estudou. É uma pena que em seus estudos de História da Arte, não lhe ensinaram muitas coisas, como não fofocar a vida alheia, como não fazer comentários poucos acadêmicos, como não ser mau educada e ter conceitos tão poucos respeitosos a cerca de pessoas que nem se encontram mais entre nós, e não podem se defender de tal falastra.
        Fico aqui pensando: que universidade é esta que ensina tal conteúdo, qual matéria que ensina as fofocas de bastidor em vez de estética?
        Joana, matricule-se aqui onde eu leciono, a professora de História da Arte, é ótima, vc vai aprender os conteúdos corretos, nada de fofoca, tudo muito profissional e artístico.
        E olhe, favela, um termo em desuso no meu país, e mesmo as pessoas que nelas vivem, a grande maioria é de uma educação enorme, sei disto muito bem, pois faço trabalho voluntário de professor de Arte em uma comunidade (favela para voce) e as pessoas que lá moram são dignas, respeitosas, educadas, mesmo quando há contestações.
        Quando se tem telhado de vidro, é melhor não jogar pedras em ninguém…

        • vasco diz:

          uma resposta educada pelo tempo e paciência para quem não passa de um sub-produto da cretinice vigente. ø Eça deve revirar-se no túmulo com estes comentadores de coisa nenhuma

  10. É professor universitário, caro Elver? Faz muito bem: eu não sou nem tenho pretensões a isso.
    Talvez fosse bom começar por levar a sério o título do texto (‘Textos imprestáveis’ pretendia ser esclarecedor). Homofóbico, reaccionário? Ou não me compreendeu, ou para si o ‘politicamente incorrecto’ (e isso sim, eu sou) engloba tudo.
    Curioso que nenhum dos meus vários amigos ‘gay’ se me queixou sobre o assunto – como você agora faz.
    Acresce ainda o facto de este blogue não ser propriamente um manual de puericultura ou, sequer, de boas maneiras.
    A concluir, sou jornalista reformado à força, andei numa guerra, não acredito em grande coisa e tenho dois filhos magníficos – a mais velha formada em História de Arte e com mestrado em recuperação de património artístico, o mais novo a acabar o seu curso de ‘design’ de produto.
    Passe bem.

  11. ELVER SAVIETTO diz:

    Oi Antonio! Grato pela resposta educada. Pode até ser que eu não tenha entendido seu texto, talvez até por um fator cultural. Acontece que aqui no Brasil não costumamos nos referir desta maneira como escreveu, o cidadão é incriminado judicialmente, paga multa e é preso. Discriminação é crime, mesmo insinuação de qualquer espécie. Acredito piamente na liberdade de expressão, a não ser que venha a ferir alguém por conta de suas convicções.
    Acho extremamente simpático pessoas que defendem suas idéias de maneira educada, como voce, adoro polemica, e defendo minhas opiniões até que me mostrem o contrario. Como disse, acredito na força das palavras, e se formos fazer levantamento da vida de todos os artistas, escritores, cantores, compositores, etc, veremos que todos tem um lado negro. O ser humano não é anjo, acreditar na candura alheia é hipocrisia, porém no caso dosa artistas, creio que o maior interesse, é sua obra.
    Com sua resposta entendi sua posição: politicamente incorreto e polemico, além de educado. São qualidades excelentes em qualquer ser humano, desde que não aja espaço para preconceitos.
    Que o futuro lhe seja promissor.

  12. Elver, a questão aqui nada tem a ver com preconceitos, e não me parece que a historiografia da arte mundial possa ser processada por afirmar com clareza que, ao escrever «De profundis», Orcar Wilde se confirmou homossexual – coisa que toda a gente do seu tempo já sabia e ele não escondia -, ou que se Picasso fosse homossexual dificilmente a sua obra seria a mesma que hoje todos conhecemos.
    Esta Renascença que eu aqui trouxe por desfastio era comum, como comum é hoje a homossexualidade que uns assumem e outros não.
    Estou-me nas tintas para tudo isso – nunca discriminei ninguém, não é agora que o vou fazer, mas também não percebo onde é que você viu algum tipo de discriminação no meu texto e menos ainda consigo imaginar ser processado por ter escrito o que escrevi.
    A bem dizer, até gostaria.
    O curioso para mim é verificar como pessoas de tão grande arte (como são os casos de Leonardo e de Michelangelo) possam ter comportamentos morais tão diferentes (e aqui não uso ‘moral’ para falar de género sexual mas sim das qualidades humanas, que Leonardo possuía em quantidade apreciável e que em Michelangelo, tanto quanto a historiografia e biografias do artista afirmam, simplesmente não existiam).
    A propósito, Elver: quando Jô Soares diz que «tem pai que é cego», isso quer dizer o quê? Ele foi preso? Ambos sabemos ao que ele se refere e ambos sabemos que não faltam gags humorísticos brasileiros onde a homossexualidade é glosada e mesmo gozada. Conhece aquela música da «namorada tem namorada»?…
    Há muitos presos por causa disso?…
    Insisto que o ‘politicamente correcto’ é uma das instituições mais hipócritas de todo o nosso planeta.

    • Meu caro Antonio Eça de Queiroz, gostei de tudo até da polémica… sabe no Brasil eles têm lá uma coisa a que chamam de “Assédio Moral”… e por vezes isso é uma paranoia, porque um traque… um simples traque, pode estragar o ambiente dos ultra intelectual da sociedade de elite… a tal que tem mensalões e outras coisas assim…Politicamente correcto só pelo recto e quando é necessário pois somos vitimas deste aparelho que todos temos…o tubo (in) digestivo…Parabéns pela acção e daqui vai um grande bem haja pela prestação dada em tão imprestáveis textos…

      • Caro António Rodrigues, hoje em dia já sei desse estranho formalismo – que, muito sinceramente, não consigo compreender. Aqui eu diria que preocupam com o que não tem qualquer importância… Enfim, importante é que você gostou e muitos outros também, o resto é treta do moralismo hipócrita – que é mau em todo o lado e em todas as suas formas…
        Um abraço!

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