Etta is gone, not for­got­ten

Etta James deixou-nos no passado dia 20 de Janeiro. Fica a memória viva de uma plateia deliciada, sob a noite limpa, a ouvir uma voz que vinha de dentro e atravessava a alma. Em Los Angeles, no “Greek Theater” do Griffith Park, a noite fez-se de emoção e de “blues”.

Sobre Bernardo Vaz Pinto

Não conseguiria nunca ser bailarino actor ou cantor sem aquela coragem segura que lhes permite não desfalecer sob os olhares escondidos de qualquer audiência. Prefiro esconder-me sob uns traços gordos de um lápis de lâmina macia, em fundo branco de papel, acarretar a velocidade lenta de uma qualquer construção que se faz colocando pedra sobre pedra. Ou passar tempo a decifrar, agora por detrás destes óculos de vidro, caligrafias de ficção e poesia, que acabam por aparar a nossa existência, e até moldá-la, abrindo portas a novos sonhos e realidades que não vislumbrávamos até à data. A música. Negra, principalmente riscada nos pântanos de new orleans, e no fumo gelado do south side de chicago. O jazz num solo de Baker, o Miles de pés e mãos marcadas pelo tempo e pelos abusos num concerto em Tokio onde a língua falada era mesmo a música. E Bach. E sempre Bach. De resto, pouco mais, entre a vontade de sonhar a vida e o sonho de vivê-la. O olhar da estrada que passou que ilumina o caminho incerto do futuro. A vontade de expelir para fora o ar que nos fica preso cá dentro.
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7 respostas a Etta is gone, not for­got­ten

  1. Manuel S. Fonseca diz:

    Uma das canções que me “enfraquece”. Um enorme blues. Bem lembrada, a Etta.

  2. Manuel S. Fonseca diz:

    E o título no post, Bernardo??? Ups!

  3. Ruy Vasconcelos diz:

    dilacerante beleza. diva do r&b. um prazer ouvi-la cantar temas com este acima ou ‘dance with me, henry’.

    • Bernardo Vaz Pinto diz:

      Caro Ruy a Etta no Blues e a Sarah (Vaughan) no jazz, embora se misturem (e é tão bom quando se misturam).

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