Algazarra

Ben Gazarra, com John

Morreu Biagio Anthony Gazarra. Morreu um pouco do charme masculino. Vejam-no em “Saint Jack”, de Peter Bogdanovich. E em “They All Laughed”. Tem a mais incrível sedução de uma taxista de vinte e três anos, cabelos Sol, olhos O’Keeffe, sardas Kate Moss, pernas Kilimanjaro. “He could have been a contender”: fez o Actor’s Studio no tempo de Brando, e “Gata em Telhado de Zinco Quente” na Broadway (dizem que foi melhor do que Paul Newman para Richard Brooks). Não quis, ou não teve talento para isso – aquela mistura do timing adequado e da energia certa. Mas loiras ou morenas, nenhuma lhe resistiu. Morreu um pouco do sorriso dos homens. Mas teremos sempre Ben e John. Mr. Cassavetes.

Sobre Pedro Marta Santos

Queria mesmo era ser o Rui Costa. Ou sonâmbulo profissional. Se não escrever, desapareço – é o que me paga as contas desde 1991 (são 20 anos de carreira, o disco está a sair). Há momentos em que gosto mais de filmes do que de pessoas, o que seria trágico se não fosse cómico – mas passa-me depressa. Também gosto dos olhos da Anna Calvi. E das bifanas do Vítor. Aprecio um brinde: “À confusão dos nossos inimigos”. Não tenho nenhuns, só uma ternura infinita pelo azul das árvores e o amarelo do mar. E peço: digam-me mentiras.
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3 respostas a Algazarra

  1. manuel s. fonseca diz:

    O Bogdanovich, que é muito linguarudo, diz que o Gazzara e a Hepburn tiveram uma doce paixão de caixão à cova, quando filmaram com ele… Vi-o, e se calhar tu também, quando ele veio ao Festival de Tróia. Parecia boa onda.

  2. Ana Rita Seabra diz:

    Ben Gazarra! O último filme que vi com o próprio na Cinemateca e não faz muito tempo, foi “Husbands”! Com o maravilhoso trio, Peter Falk, J. Cassavetes e o Ben.
    Thanks Pedro

  3. Bernardo Vaz Pinto diz:

    Ben como alter ego de Bukowski no filme de Ferreri, e tantas outras imagens que agora passam a ser , com o desaparecimento de Gazarra, memórias.

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