Bizet

Posso começar com uma nota pessoal? Sou um rapaz de gostos simples que denunciam origens camponesas. Ao ralo mato português junta-se a descontracção acre e multicolor do musseque luandense. A divertida conjugação da mandioca com a batata. Quase sempre azeite, por vezes um distractivo toque de óleo de palma. O que tem isso a ver com Bizet? Quase nada, a não ser que gosto uma fartura dele da simplicidade dele. Por ser francês, também. É, se fosse possível escolher, o meu compositor favorito.
Bizet podia ter chegado ao século XX. Nunca saiu do século XIX, nele morrendo, em 1875. Estupidamente cedo, com menos de 40 anos. Bastaria ter chegado aos 63 para ter entrado no século XX. Não soube e teria assim sabido que a sua Carmen era amada, cantada, dançada em todo o mundo. Espero que já lhe tenham dito que, de Cecil B DeMille a Francesco Rosi passando por Preminger, a sua Carmen já calcorreou quilómetros de película. Antes, compusera uma suite, l’Arlesienne. Pelo que eu próprio estou já a sentir, o peito a encher-se-me de ar, as pernas a quererem saltar, vai  inspirar-vos gestos épicos.

 

 

Sobre Manuel S. Fonseca

O meu maior medo é que a morte seja tudo às escuras sem se poder ler. Pouco interessa deixar de ser humano, desde que não deixe de ser leitor. Ler é do mais feliz que tenho. Até porque escrever é triste.
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Uma resposta a Bizet

  1. Ruy Vasconcelos diz:

    bizet não é nada para campônios ou matutos. mas se se haveria de ficar mais feliz com o conhecimento do sucesso de sua carmen, que dizer da gente com o retorno da irrequieta eugénia. que isto aqui não é o mesmo sem ela.

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