Canta

Hoje acordei a pensar em duas ou três coisas que ouvi sobre as condições do “plano de resgate” à Grécia (tive pesadelos). O que fazem agora à Grécia não é um “plano de resgate”, é um homicídio voluntário. Na vida, no desespero, começa-se por incendiar casas – é demasiado doloroso o que vem a seguir. No cinema, como na greve de estivadores do lindo “Un Chambre en Ville”, de Jacques Demy, canta-se. Na vida, a seguir à ira, só ouvimos silêncio. E o crepitar das chamas. Onde está a República com o rosto de Dominique Sanda? Entre as cinzas?

Sobre Pedro Marta Santos

Queria mesmo era ser o Rui Costa. Ou sonâmbulo profissional. Se não escrever, desapareço – é o que me paga as contas desde 1991 (são 20 anos de carreira, o disco está a sair). Há momentos em que gosto mais de filmes do que de pessoas, o que seria trágico se não fosse cómico – mas passa-me depressa. Também gosto dos olhos da Anna Calvi. E das bifanas do Vítor. Aprecio um brinde: “À confusão dos nossos inimigos”. Não tenho nenhuns, só uma ternura infinita pelo azul das árvores e o amarelo do mar. E peço: digam-me mentiras.
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4 respostas a Canta

  1. … ainda deve estar n’ Il giardino dei Finzi-Contini …

  2. Bernardo Vaz Pinto diz:

    Caro Pedro, receio que a núvem de cinzas perdurará por algum tempo, o que sairá desse nevoeiro ninguém sabe. Olhar a história pode ajudar, é pensar em Berlim em escombros há tão pouco tempo…Que nos fique o cinema, e que se cante antes da investida!

  3. António Eça de Queiroz diz:

    Mas a República não é (foi) uma escolha popular? Então deve estar no povo, sei lá…
    O mundo, inteiro, tornou-se numa anedota de mau gosto (e ainda por cima mal contada!).

  4. Pedro Norton diz:

    E de Versalhes, alguém se lembra?

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