Economia poética

Como refazer um poema com as sobras do Inverno anterior

(ou relançar o guarda-roupa sem gastar mais) 

Para esta costura há que 

Primeiro: procurar palavras usadas (Ou rebuscar no armário cachecóis de outras estações)

Segundo: escolher palavras contra o frio – lã, cor, calor  (Ou tecidos que as contenham)

Terceiro: aparar os excessos, reunir sentidos (ou cortar cadilhos e unir pontas)

Quarto: criar um poema circular  (ou de um cachecol velho fazer gola nova)

                                 Trajo para disfarçar a crise? Qual quê. É vestir poesia pura.

 

Sobre Teresa Conceição

Ainda estou a aprender esta terra de hieróglifos. Tenho na mala livros e remoinhos, mapas e cavalos guerreiros, lupas e lápis de cor: lentos decifradores.
Sou nativa de Vadiar, terra-a-terra. Escrever? Ainda não descobri onde fica. Mas parto com bússola e farnel (desconfio que levo excesso de bagagem).

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4 respostas a Economia poética

  1. Luciana diz:

    Caríssima Teresa, como é possível? aqui só sol e calor (e que calor!) e há crises, mas não que ressoem em esquinas…e, ainda assim, sua costura me desnuda o sentir.

  2. Teresa Conceição diz:

    Luciana, que bonito dizer isso. Há poemas feitos com palavras gastas e que doem mais que picar dedo em agulha.
    (Agora um aparte só para meninas: olhe que com uma gola destas bem pode sair à rua desnuda que não tem frio 🙂 e podem fazer-se também com tecidos frescos. Se forem compridas, dá para usar com várias voltas ao pescoço – sem apertar muito, ou seria uma solução de humor negro contra a crise:).

  3. Bernardo Vaz Pinto diz:

    Com fotografias destas esquecemos, por momentos enrolados em cachecóis, a crise e o frio, ou o frio da crise.

  4. Rita V diz:

    reciclar
    boa!

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