Heavy listening

Ele há dias – e o Heavy Metal nunca foi o meu forte – mas ele há dias em que headbanging violentamente contra um muro de betão parece ser a melhor e única forma de dar um sentido a este surreal baile de carnaval mascarado a que viemos parar. E quando digo headbanging refiro-me à head deles, seja lá quem eles forem e não à minha, pois a minha, nesse dia em que ele o haverá, necessitará de lucidez suficiente para que em chegando o crepúsculo, quando a música tiver finalmente acabado e o tempo, o tempo real, tiver começado de novo a correr, eu possa finalmente tirar a minha máscara e ver, sem pressas, o sol a nascer.

Laguna Sunrise – Black Sabbath Vol4

Sobre Vasco Grilo

Quando era rapazola dei demasiadas cabeçadas com a minha pobre caixa de osso. Hoje, como deliciosa consequência, encontro a minha razão intermitente como uma rede WI-FI, sem fios nem contrato fixo. Por vezes suspeito que a minha alma seja a de um velho tirano sexista e sanguinário, prisioneiro no corpo perfumado e bem-falante de um jovem republicano. Mas talvez eu seja só é um bocado sonso. A cidade para onde me mudei no final do século passado chama-se Aerotrópolis. Daqui partem todas as estradas e para aqui todas elas confluem. Em seu redor e para minha sorte, está um mundo que é grande e ainda muito comestível. Creio que a verdadeira felicidade possa causar uma certa tristeza. E por isso e só por isso, aqui, escreverei.
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3 respostas a Heavy listening

  1. Manuel S. Fonseca diz:

    olha, os “meus” Black Sabbath, aqui tão macios…mas o pessoal do metal é só ternura…

  2. Panurgo diz:

    Uma pessoa até consegue cheirar a cocaína a esta distância.

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