Humor veloz em Daytona

Desconheço em absoluto os momentos ou as razões que antecederam esta filmagem, mas quem conhece minimamente o piloto português de endurance João Barbosa sabe bem que ele seria incapaz de forçar a sua mulher e mãe dos seus dois filhos, Mariana Montalvão Machado, a protagonizar um dos mais engraçados filmes do género que alguma vez passou no Youtube.
O cenário é este: na pista de Daytona, dentro de um protótipo equipado com dois assentos, o piloto prepara-se para mostrar à sua companheira de vida o que é uma volta ao competitivo circuito – onde já averbou uma vitória à geral (2010), dois terceiros lugares na categoria mais elevada e ainda mais um na categoria GT.
Para quem conhece os tempos que os pilotos mais rápidos praticam por volta no Daytona Speedway, esta até foi uma espécie de passeio – se excluirmos a zona dos Hi Banks, duas largas curvas parabólicas com uma inclinação de cerca de 30 graus e grande aderência, que por norma são abordadas a 250 km/h e de onde se sai acima dos 300…
Estas o João fê-las dentro dos valores prescritos, não sem pelo meio tentar acalmar o susto evidente da Mariana – dando-lhe a mão e exibindo a confiança de quem sabe perfeitamente o que está ali a fazer (a força centrífuga – as chamadas forças ‘G’ – pode ser bem incómoda para quem não está habituado).
No entanto tal expressão de conforto não serviu de muito, como se pode verificar pelas imagens do pequeno filme que podem ver aqui em baixo. Imagens estas que já ultrapassaram os 200 mil hits em três dias e que, inclusive, passaram na Inside Edition da CBS (infelizmente não encontrei o link televisivo, mas apenas a foto da sua exibição com que ilustro o texto).
Em Portugal nenhuma televisão entendeu que o assunto merecesse algum relevo – tão sérios e «troykistas» andam os nossos editores televisivos –, pelo que apenas quem usa o Facebook teve acesso a ele.
Descansem os (as) mais sensíveis, não haverá divórcio.

Sobre António Eça de Queiroz

Estou em crer que comecei a pensar tarde, lá para os 14 anos, quando levei um tiro exactamente entre os olhos. Sei que iniciei a minha emancipação total já aos 16, depois de ter sido expulso de um colégio Beneditino sob a acusação – correcta – de ser o instigador dum concurso de traques ocorrido no salão de estudo. E assim cheguei à idade adulta, com uma guerra civil no lombo e a certeza de que para um homem se perder não é absolutamente necessário andar encontrado. Tenho um horror visceral às pessoas ditas importantes e uma pena infinita das que se dizem muito sérias. Reajo mal a conselhos – embora ceda a alguns –, tenho o vício dos profetas e sou grande apreciador de lampreia à bordalesa e de boa ficção científica.
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9 respostas a Humor veloz em Daytona

  1. teresa conceição diz:

    António, mas o vídeo apenas revela a embriaguez da velocidade:)
    E as forças G são melhor que vinho tinto para ajudar à festa.

    • António Eça de Queiroz diz:

      E aquele «take me out of here» final, Teresa?…
      É que a embriaguês da velocidade é para quem gosta (eu gosto!)

      • António Eça de Queiroz diz:

        Adenda ao coment da Teresa (porque eu hoje estou com raciocínio de perdigueiro…)
        Teresa! Sua malandra! Não era desse ‘G’ que eu estava a falar!…

  2. Adorei … mas diga-me António … é impressão minha ou a ‘co-pilota’ vai aos gritos a viagem toda?
    🙂

  3. António Eça de Queiroz diz:

    Rita: não, não é impressão sua…
    Mas há um pormenor logo no início que é de morrer, porque ela diz ao piloto «se eu mandar tu páras?»…

  4. O Eco de Umberto diz:

    Nunca me tinha passado que nas ovais a sensação seria a de ir contra o muro, só isso explica que a panicada senhora ponha as mãos à frente. Divertidíssimo.

    • António Eça de Queiroz diz:

      É isso mesmo, Eco, aquilo arrepia bastante porque os pilotos sobem até ao muro para depois se lançarem a descer para ganhar a máxima velocidade. Ou seja, vão quase a 300 a dois palmos do muro e a curvar…
      Acho que até eu ia ter o meu frissonzito…, mais do tipo paralisado, digamos.

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