Involtini di verza

Todos os dias ao fim da tarde, sentado naquela Trattoria que é antica e della Pesa. Numa sala de jantar sempre vazia. Porque jantam sempre tão tarde os Europeus?

E depois, a indecisão da escolha. Não estava habituado a indecisões. Ou escolhas. Só a decisões firmes sem diversões ou alternativas. O Rognoncino trifolato con purée? O rim causava-lhe azia. A Cassoeula con polenta? Demasiado pesada ao jantar. O melhor era pedir os Involtini di verza con riso pilaf. Ao fim ao cabo era o que mais se parecia com as melhores iguarias do seu longínquo país.

Sobre Vasco Grilo

Quando era rapazola dei demasiadas cabeçadas com a minha pobre caixa de osso. Hoje, como deliciosa consequência, encontro a minha razão intermitente como uma rede WI-FI, sem fios nem contrato fixo. Por vezes suspeito que a minha alma seja a de um velho tirano sexista e sanguinário, prisioneiro no corpo perfumado e bem-falante de um jovem republicano. Mas talvez eu seja só é um bocado sonso. A cidade para onde me mudei no final do século passado chama-se Aerotrópolis. Daqui partem todas as estradas e para aqui todas elas confluem. Em seu redor e para minha sorte, está um mundo que é grande e ainda muito comestível. Creio que a verdadeira felicidade possa causar uma certa tristeza. E por isso e só por isso, aqui, escreverei.
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3 respostas a Involtini di verza

  1. Rita V diz:

    Há salas antigas
    Gostos novos
    🙂

  2. manuel s. fonseca diz:

    Muito bom, Vasco, muito bom. Apeteceu-me ir jantar com o homem. Mas é sempre assim, nós europeus habituámo-nos a chegar tarde aos jantares com a História.

  3. Pedro Norton diz:

    Chega para lá Presidente Ho. Tenho umas fotografias para te mostrar.

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