Então meninas?

Então meninas?
Que caras são essas?
Estão entediadas?
Não me digam que é porque estou a escrever?
Estão com falta de atenção não estão?
Têm razão. Mas eu tenho que acabar um texto.
Porque é que não vão dar uma volta?
Vão dar um mergulho em vez de ficarem aí com esse ar pedinchão.
Vá lá, agora não posso. Estou a escrever.
Sobre o quê?
É uma estória sobre o amor entre um polvo e uma bióloga.
Um amor interespécies e por isso impossível.
A estória é aparentemente verdadeira, mas claro que é uma metáfora.
Sobre a impossibilidade de amar fora do meio.
Não é uma metáfora?
Acham que vai além da simples metáfora, que é uma alegoria.
Que espertas!
O fim? Ainda não sei. É provavelmente uma conclusão moralista.
“Então é uma fábula alegórica” dizes tu.
Vocês não têm mesmo mais nada para fazer do que ficar aí sentadas a olhar pois não?
Assim não consigo escrever.

Sobre Pedro Bidarra

As pessoas vêm sempre de algum sítio. Eu vim dos Olivais-Sul, uma experiência arquitecto-sociológica que visava misturar todas as classes sociais para a elevação das mais baixas e que acabou por nos nivelar a todos pelo mais divertido. Venho também da Faculdade de Psicologia da clássica, Universidade Clássica de Lisboa onde li e estudei Psicologia Social e todas as suas mui práticas teorias. Venho do Instituto Gregoriano de Lisboa onde estudei os segredos da mais matemática, e por isso a mais emocional e intangível de todas as artes, a música. E venho sobretudo de casa: de casa das duas pessoas mais decentes que até hoje encontrei; e de casa dos amigos que me ajudaram a ser quem sou. Estes foram os sítios de onde parti. Como diz o poeta (eu): “Para onde vou não sei/ Mas vim aqui parar/ A este triste lugar.”
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5 respostas a Então meninas?

  1. Rita V diz:

    Enquanto lia o céu suspeito da Teresa o ‘Então meninas?’ no canto direito superior fez-me pensar que alguém nos estava a chamar. (Somos 3 pelo que pensei que era um dos cavalheiros a chamar-nos à sala.)
    Que tola fui, … apressei-me com a nuvem inocente e ingénua da Teresa para dar de caras com 4 marmanjonas entretidas entre si enquanto o Pedro entretém-se com um polvo e uma bióloga.
    É bem feito!
    😛

  2. Rita V diz:

    Agora sim, … fui ler o seu ‘Polvo e a Bióloga’. Uma história triste, mas ao menos o Polvo não trocou o seu amor por 4 lulas atrevidas.
    ( eh eh eh )

  3. manuel s. fonseca diz:

    Ó Pedro, assim também eu, com 4 meninas de Letras a fazerem-lhe perguntas é fácil ter 20 em escrita criativa.

  4. Ruy Vasconcelos diz:

    ao menos uma vez na vida a gente se sente o protagonista desse texto. mas passa rápido. e, mais cedo ou mais tarde, descobrimos que temos mais tempo do que suspeitávamos para revisar textos. que droga!

  5. teresa conceição diz:

    Então, Pedro?
    Deixam-se assim as garotas à espera? Não sabe que é pecado?
    Ainda por cima uma promessa assim tentacular, mais graduada que amor de polvo: sempre são oito braços e oito pernas….

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