O Acordo Ortográfico

Hoje, no “Atual” do Expresso, pgs 34 a 36, o António Guerreiro, com tanta serenidade como segurança, pronuncia-se sobre a discussão pública do Acordo Ortográfico. O artigo, intitulado “O impossível Acordo”, nunca levanta a voz. Limita-se a enunciar com invejável acuidade o quadro externo em que se desenvolveu o projecto político de que o Acordo decorre e, a seguir, a expor alguns argumentos críticos às bases científico-linguísticas que estruturam o texto do Acordo. Uma análise brilhante cuja leitura aconselho vivamente.

Face a argumentos tão demolidores e sensatos, seria bom que o “Expresso” (que inteligente e democraticasmente permite aos seus colunistas opção de modelo ortográfico) e o Grupo Impresa reconsiderassem a adopção de um Acordo precipitado, político e cientificamente incongruente. Dariam, assim, uma extraordinária ajuda à reabertura racional deste processo. Sendo tão óbvio o aborto porque é que ele há-de ser irreversível?

Sobre Manuel S. Fonseca

O meu maior medo é que a morte seja tudo às escuras sem se poder ler. Pouco interessa deixar de ser humano, desde que não deixe de ser leitor. Ler é do mais feliz que tenho. Até porque escrever é triste.
Esta entrada foi publicada em Post livre. ligação permanente.

11 respostas a O Acordo Ortográfico

    • manuel s. fonseca diz:

      A Rita ri-se? Venho eu de fatinho, todo sério e a Rita ri-se!!! ah, ah, ah.

      • Rita V diz:

        ri-me … os ingleses têm uma palavra pouco sofisticada para dizer o que penso
        ‘balls’ ou ‘bollocks’ depende do contexto

        é preciso tê-los no sítio
        ( se a Tia ouve)

  1. António Eça de Queiroz diz:

    Não li o artigo, na verdade deixei de ler o Expresso no momento em que adoptou o ‘Burroguês Académico’ como método de expressão.
    Mas também não precisava de ler.
    E acho também que o Expresso não tem de mexer uma palha sobre o assunto: a seu tempo será obrigado a isso.
    Mas fazia bem em antecipar-se ao ridículo, é claro.

  2. manuel s. fonseca diz:

    Então e nós, Tristes, gloriosamente Tristes, íamos lá perder tempo a apontar defeitos. Of course not, dear Princess

  3. Que alegria me dão: eu andava a sentir-me tão só na crença da irreversibilidade do desacordado disparate.

  4. J. Roque Dias diz:

    EXCELENTE, António Eça de Queiroz: «E acho tam­bém que o Expresso não tem de mexer uma palha sobre o assunto: a seu tempo será obri­gado a isso. Mas fazia bem em antecipar-se ao ridí­culo, é claro.» E para se ver como anda a choldra ortográfica em Portugal, deixo-vos uma sugestão de leitura (mas sentem-se bem primeiro…): O ESTADO DA CHOLDRA ORTOGRÁFICA EM PORTUGAL

    • António Eça de Queiroz diz:

      Caríssimo J. Roque Dias, estive a ver o seu ‘apanhado’ de bezerrices no BURROGUÊS ACADÉMICO do prof. Malaico Pasteleiro (suponho que ele não se melindrará com esta ‘liberdade ortopédica’ aplicada ao seu nome) e, sinceramente, fiquei maravilhado.
      Não é sentença de morte, é suicídio puro e simples.
      Bem feito para ele!

  5. Bernardo Vaz Pinto diz:

    Creio que não existirão muitos outros paises a darem atenção a estas ideias saídas provávelmente de uma qualquer secretária burocrática…eles dizem que a questão é económica…mais uma!

Os comentários estão fechados.