Perdoem a aparente grosseria

Podia ser conversa de taxista, mas era um poema de Jorge de Sena. Nesse poema, aludia-se ao tempo em que alguém andava a saltar de colhão para colhão de seu pai a ver se escapava a ser filho da puta. Eram tempos rudes que perdoavam a aparente grosseria. E hoje, neste fino tempo descolhoado, a ver se escapamos a ser gregos, saltamos donde para onde?

Sobre Manuel S. Fonseca

O meu maior medo é que a morte seja tudo às escuras sem se poder ler. Pouco interessa deixar de ser humano, desde que não deixe de ser leitor. Ler é do mais feliz que tenho. Até porque escrever é triste.

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11 respostas a Perdoem a aparente grosseria

  1. Panurgo diz:

    Então, andamos de cu em cu – o problema é não fecharmos a boca. Creio eu.

  2. manuel s. fonseca diz:

    Panurgo, bons eram os anos de chumbo, ao menos não cheiravam a nada…

    • Panurgo diz:

      Acho que a coisa me saiu mal – por fechar a boca, queria eu dizer não comer toda a porcaria que nos metem à frente do nariz, estes ismos de bosta. Haver alguém que nos conduza sem haver marinado no intestino da ideologia. Quer-me cá parecer que não há.

      Era isso. Mil perdões.

      • Manuel S. Fonseca diz:

        Caro panurgo, não me pareceu nada mal o seu primeiro comentário e achei ainda melhor a marinada no intestino da ideologia…

        • Panurgo diz:

          Um nojo. Socialistas, liberais, comunistas, neoliberais, materialistas, anarquistas, centristas, europeístas, por aí afora, mais os fiéis dos santos porquinhos: hegelianos, marxistas, engelianos, hobbesianos, existencialistas, sionistas, islamitas – enfim, é escolher a cloaca e lá se encontrará um devoto gulotão. Um homem livre, um homem justo, um homem belo (pareço um helenista) é que não há. Pelo menos, nunca vi nenhum. Claro que um homem livre sabe sempre quais são as suas escolhas: ou a cruz do Gólgota ou a águia do Cáucaso. Com piedade, uma taça de veneno, vá.

          Cabrões (ainda se pode dizer isto?). O chato do estagirita pegou em Homero e na Tragédia para nos ensinar a ser Alexandre. E fui eu nascer num tempo em que nas escolas se fala da conversa fiada de autênticos aglomerados de merda (pode-se?) como Descartes, Maquiavel, Locke, Hume, Derrida, Tartre, Hayek, Nozick, Keynes, etc. e mais à puta que os pariu a todos (desculpe lá o excesso, Manuel, mas não consigo perdoar os meus progenitores. Não consigo.).

          • manuel s. fonseca diz:

            Resta-nos, caro Panurgo, a mulher. Basta uma, cheia de graça, que nos livre de toda a culpa.

  3. Bernardo Vaz Pinto diz:

    Fazem-nos falta alguns palavrões para escandalizar a horde de delicados e ” politicamente correctos”, mas faz-nos também falta homens como o Sena.

  4. Jorge Silva diz:

    Às vezes o escatológico é de um cristalino acutilante, Manuel! Na mouche!

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