Requiem pelo Belcanto

Teatro Nacional São Carlos, 2005. Cndida Hofer.

Uma ervilha crocante em infusão de Melão dos Balcãs. Um pistachio fingido sobre cama de fruta da época. Uma trilogia de pastas em molho de ostra. O vinho a uma temperatura impecável. Um laboratório de perfeição e asseio. Paris em Lisboa. Chefes, sommeliers e uma legião pós moderna de criados amaneirados.

Que é feito do charme indizível do cheiro a mofo? Da decadência imóvel que escorria, em histórias de putas e noites intermináveis de fumo, por aquelas grossas paredes?  Nem uma nódoa de linho se arranja? Onde está o João? Porra!

Sobre Pedro Norton

Já vos confessei em tempos que tive a mais feliz de todas as infâncias. E se me disserem que isso não tem nada a ver com tristeza eu digo-vos que estão muito, mas muito, enganados. Sou forrado a nostalgia. Com umas camadas de mau feitio e uma queda para a neurose, concedo. Gosto de mortos, de saudades, de músicas que nunca foram gravadas, de livros desaparecidos e de filmes que poderiam ter sido. E de um bom silêncio de pai para filho. Não me chamem é simpático. Afino.
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10 respostas a Requiem pelo Belcanto

  1. manuel s. fonseca diz:

    RIP

  2. Rita V diz:

    próxima paragem

  3. O Eco de Umberto diz:

    melão dos balcãs?? Que derrota, pior do que a falta do charme imperfeito das nódoas. Porra mesmo.

  4. António Eça de Queiroz diz:

    Está tudo infectado de snobeira hospitalar, Pedro.
    Um horror! Uma pasmaceira cheia de panascas.

  5. teresa conceição diz:

    Está visto que a Asae não deixou a sua marca apenas nos tascos…

  6. Bernardo Vaz Pinto diz:

    O Belcanto era o único restaurante “Lynchiano” em lisboa. Tenho a certeza de que algumas das cenas interiores de “Mullholand Drive” foram ali filmadas…e os empregados serviram de figurantes. Sr. Doutor é uma era que se apaga!

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