A um casal amigo

Conheço o António há pouco mais de um par de anos. E é mentira porque às vezes penso que o conheço desde os meus e dele tempos do Liceu. Somos horrorosamente diferentes, um encolhe estica de diferenças, mas podíamos ter coincidido desmesuradamente em muitos lugares angolanos e num gosto pelo riso e por alguma aventura.
Conheci depois a Teresa e vi logo que a fulgurância e exuberância dela casavam com ele. Olha-se para a Teresa e há nela um gosto pelo movimento: será a dança? Vejo-os pouco, mas não é preciso estar sempre a ver-se as pessoas para gostarmos muito delas. Gosto deles na maneira como gostam do filho. Gosto deles até pela maneira como gostam do cão.

Mas agora que o António aqui confessou a paixão pela Buika, o que eu queria era ver os dois a dançarem este meio-bolero, meio-flamenco, na melhor sala do Porto. É a mais bela canção da Buika. Beleza só completa com a Teresa e António em passo de dança.

Sobre Manuel S. Fonseca

O meu maior medo é que a morte seja tudo às escuras sem se poder ler. Pouco interessa deixar de ser humano, desde que não deixe de ser leitor. Ler é do mais feliz que tenho. Até porque escrever é triste.
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18 respostas a A um casal amigo

  1. Carla L. diz:

    Manuel, acabei de descobrir que tendo muita afinidade com os modos de pensar do nosso querido Antonio, participo desse encolhe e estica de diferenças.É uma pena que eu não conheça a Teresa, mas pelo Antonio, creio que ela só possa ser mesmo tudo isso que descreve e muito mais.Chego para também acompanhar a dança dos dois.Bela música, lindo casal.

    • manuel s. fonseca diz:

      E muito mais, muito mais, Carla. Repare, eu sou míope e tenho astigmatismo: para ver o António todo tenho de olhar para aó três vezes. A seguir junto tudo e fico com uma vaga ideia.
      Obrigado pelo seu carinhoso comentário.

  2. António Eça de Queiroz diz:

    Manuel, conhecemo-nos há exactamente 326 anos e meio e somos até um pouco parecidos (ouvi ainda há dias perguntarem se não seríamos irmãos, talvez primos…, e eu disse que sim, ambos!). E parece que não te lembras de quando te safei dum estouro de pacaças que houve às portas da Mutamba!…
    A Teresa ficou toda ufana de nos ver a dançar, já, e tem razão porque dança bem (ela, que eu sou um martelo sem cabo).
    Que bela dedicatória, querido amigo, grande abraço!

  3. Rita V diz:

    If i may … Bless!

  4. Caramba, Manuel Fonseca, enterneci-me com este post. A amizade enternece-me sempre. E ó para eles, tão lindos!

    • António Eça de Queiroz diz:

      Ivone, obrigado pela parte que me (nos) toca – e embora a amostra não explique isso muito bem, somos uma parelha imbatível…

  5. Margarida diz:

    Não sei o que mais me comove, se a vossa amizade (entre os 3), ou o amor entre os 2. E que maneira mais bonita de viver esse amor: dançando! É que eu tenho essa imagem da felicidade, dois velhinhos trôpegos (e cúmplices), a dançar um bolero!
    Para o Antonio Eça de Queiroz: não quer contar-nos essa das pacaças na Mutamba? Aposto que é uma bela estória!

    • manuel s. fonseca diz:

      Margarida, a das pacaças na Mutamba? Ui, isso meteu o Governo Geral de Angola, o Estado Maior do Exército (já não era o Costa Gomes, pois não, António?) e uma multidão de mabecos que fizeram o pessoal todo subir às árvores e pendurar-se nas lianas. Conta, conta, António…

  6. Ana Rita Seabra diz:

    Manel, que bonita dedicatória e que bela música escolheu.
    Um brinde à amizade!

  7. manuel s. fonseca diz:

    Sorna Maria Jagunça??? E a Eugénia ainda se lembrava… Memória feliz a sua.

  8. manuel s. fonseca diz:

    Tchim, tchim, Ana Rita!

  9. teresa conceição diz:

    Que bonito que é, ler isto, ver e ouvir. Fica muito lindo tudo junto. Gostei muito, Manel, António, Teresa.

  10. António Eça de Queiroz diz:

    Obrigados, Eugénia, tenho a certeza que a Sorninha também agradece lá da terra das praias eternas onde se encontra.

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