Um Clube

Falo pelo telefone com amigos e conhecidos e consigo vê-los: sem pachorra, sorumbáticos, o corpo afundado numa espessa melancolia. Por vezes, dou por mim no mesmo vício, como se o Clube dos Bem-Dispostos não aceitasse mais sócios. Hoje vou pagar as quotas.

Sobre Pedro Marta Santos

Queria mesmo era ser o Rui Costa. Ou sonâmbulo profissional. Se não escrever, desapareço – é o que me paga as contas desde 1991 (são 20 anos de carreira, o disco está a sair). Há momentos em que gosto mais de filmes do que de pessoas, o que seria trágico se não fosse cómico – mas passa-me depressa. Também gosto dos olhos da Anna Calvi. E das bifanas do Vítor. Aprecio um brinde: “À confusão dos nossos inimigos”. Não tenho nenhuns, só uma ternura infinita pelo azul das árvores e o amarelo do mar. E peço: digam-me mentiras.

Esta entrada foi publicada em Escrita automática. ligação permanente.

9 respostas a Um Clube

  1. manuel s. fonseca diz:

    E para quê ser sócio de um clube que nos aceita como sócio?

  2. Teresa Conceição diz:

    E quando se é sócio fundador?
    Eu só não sou sócia porque faço parte do staff. Últimamente tem sido mais em part-time, é certo, mas quando a malta staffista se junta toda para jantar é uma farra.

  3. fernando canhao diz:

    No meu caso não será o Marxismo que me impede de ser clubista, é a Ordem a que pertenço, sem apelo nem agravo

    Acerca de desporto é omissa. Graças a Deus.

    http://www.encyclique.com/Telechargements/Allais_Cap10.pdf

  4. pedro marta santos diz:

    O Groucho não diria melhor, Manel. teresa, já percebi que és presidente honorária, pelo teu esforço e natureza. Fernando, gostei muito do seu “record du millimètre”.

    • fernando canhao diz:

      honremos os mortos se os vivos nao o merecerem (A.O.S., putativo ditador)
      Para o Balajo (post) do seu amigo Manuel S. Fonseca, ja e em forca (semi-novo, bom de macanica)

  5. Tenho as quotas em dia!
    😀

  6. Em vez de sócia proponho-me a “observadora”do clube dos bem dispostos, com assento nas reuniões divertidas… É melhor…ponho-me a pagar quotas e depois dá-lhes alguma “melancolia provisória” que implica com a “coabitação”.
    A coabitação foi um termo que caíu em desuso…tempos houve que não melancolizávamos tanto e coabitávamos intensamente. Pelo menos nos meandros do Estado de Graça, antes do prefixo, que o fez afundar-se.
    As outras reuniões, passo, alegremente, a um qualquer observatório, que os há muitos e variados, normalmente sem nenhuma conclusão, como convém a um observatório que se preze.
    Abaixo a melancolia!
    Abaio a de-pressão!
    Abaixo a pressão!
    Abaixo a pressa!
    Viva a transtornante boa disposição.

  7. pedro marta santos diz:

    Está combinadíssimo, George Sand. “Viva a transtornante boa-disposição” ficará bem nas bandeiras que desfraldaremos nas ruas, em manifestações sorridentes.

Os comentários estão fechados.