A filosófica inclinação do romance

 

um filósofo sem romance

O romance, o grande romance, Proust ou Thomas Mann, o russo Dostoievsky, o talvez francês Camus, onde é que eu ia…ah, o romance, dizia, foi um terreno privilegiado para expor, discutir, sustentar com entusiasmo ou angústia as grandes ideias. O romance era um rival da filosofia. Discutia a verdade, o livre arbítrio, as mais convulsas questões morais. E fazia-o com uma vivacidade de que a filosofia tinha ciúmes. À filosofia custava ver o romance, com o seu luxo ficcional de personagens e peripécias, nimbado de metafisica, ética e estética.

Tudo isso, essa aventura filosófica, ter-se-á perdido no romance contemporâneo? Neste artigo, Jennie Erdal diz que sim. Terá razão?

Sobre Manuel S. Fonseca

O meu maior medo é que a morte seja tudo às escuras sem se poder ler. Pouco interessa deixar de ser humano, desde que não deixe de ser leitor. Ler é do mais feliz que tenho. Até porque escrever é triste.

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12 respostas a A filosófica inclinação do romance

  1. Panurgo diz:

    Cá isso não sei, mas quando me falam em “romances filosóficos” só me lembra o grande Dave Barry:

    “Never say anything about a book that anybody with any common sense would say. For example, suppose you are studying Moby-Dick. Anybody with any common sense would say that Moby-Dick is a big white whale, since the characters in the book refer to it as a big white whale roughly eleven thousand times. So in your paper, you say Moby-Dick is actually the Republic of Ireland. Your professor, who is sick to death of reading papers and never liked Moby-Dick anyway, will think you are enormously creative. If you can regularly come up with lunatic interpretations of simple stories, you should major in English.”

    • Manuel S. Fonseca diz:

      Panurgo, já me fez rir e bem estava a precisar. Agora vou ler os ensaios filosóficos do Dave Berry.

  2. António Eça de Queiroz diz:

    O que eu acho, acima de tudo, é que se escreve hoje tanta tralha que a interrogação soa razoável – o dito «contemporâneo» aposta no «entretenimento» dos grandes números.
    E isso turva um pouco o olhar, claro, mas ninguém leu tudo o que foi escrito.
    (deve ser por isso que ainda gosto tanto de FC)

  3. Pedro Bidarra diz:

    Bela artigo, bela partilha.

  4. MJC diz:

    Lembrei-me de Gerard Castello-Lopes que na entrevista dada a Carlos Vaz Marques (2004/TSF) quando confrontado com a afirmação “Uma fotografia vale por mil palavras” É peremptório a responder. Não.
    “Quem afiram isso nunca leu Léon Tolstoi, W. Shakespeare, Cervantes, Camões ou outros grandes romancistas.”

    http://www.tsf.pt/paginainicial/AudioeVideo.aspx?content_id=895363

  5. Bernardo Vaz Pinto diz:

    Uma impportante questão que não terá resposta fácil, e ainda bem…Kundera tem um belo livro que também lida com o papel do romance como produção de ideias, “The Art of The Novel” ( só tenho em inglês), e analisa a obra de alguns grandes (Mann, Kafka,Dostoievsky, Broch…)

  6. Monika diz:

    Quanto mais fácil se torna a vida do homem, mais vazio ele fica. E se a arte é um reflexo do homem, também ela se torna vazia…

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