Adivinha Literária

Egon Schiele. Liebespaar, 1913.

“O melhor emprego que já me ofereceram foi o de gerente de um bordel. Na minha opinião é o ambiente perfeito para um artista poder trabalhar. Dá-lhe a liberdade económica ideal; liberta-o do medo e da fome; ele tem um tecto sobre a cabeça e nada para fazer excepto manter em dia uma contabilidade simples e ir uma vez por mês fazer o pagamento à polícia. O lugar é tranquilo durante a manhã, que é o melhor momento do dia para trabalhar. Há bastante vida social ao do dia, se ele quiser participar nela, o que lhe permite não se aborrecer; dá-lhe um certo estatuto social; ele não tem nada para fazer porque a madame trata da escrita da casa; todos os habitantes da casa são mulheres e tratam-no com deferência, chamando-lhe senhor. Todos os contrabandistas do bairro lhe chamam senhor. E ele pode tratar os polícias pelo nome próprio”

Hoje fui à feira do livro. E como vem sendo hábito nos últimos anos parei muito tempo em frente à barraca da Tinta da China. Com a Ahab e outra casa de que não posso dizer o nome porque conheço bem o gerente é uma das mais interessantes editoras nacionais. O excerto que copiei acima é roubado a uma colectânea de entrevistas a escritores originalmente publicadas na Paris Review que já vai na segunda edição. Quem arrisca um nome? Sem batotas…

 

Sobre Pedro Norton

Já vos confessei em tempos que tive a mais feliz de todas as infâncias. E se me disserem que isso não tem nada a ver com tristeza eu digo-vos que estão muito, mas muito, enganados. Sou forrado a nostalgia. Com umas camadas de mau feitio e uma queda para a neurose, concedo. Gosto de mortos, de saudades, de músicas que nunca foram gravadas, de livros desaparecidos e de filmes que poderiam ter sido. E de um bom silêncio de pai para filho. Não me chamem é simpático. Afino.
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16 respostas a Adivinha Literária

  1. Panurgo diz:

    “Entre scotch e nada, fico pelo scotch”. Essa toda a gente sabe. E o gajo não escrevia um caralho.

  2. Pedro Norton diz:

    Caro Panurgo,
    Sobre o caralho é que não podemos estar em maior desacordo. Mas venha o scotch.

  3. Menino Pedro, como diria a Tia Triste, esse excerto é de Faulkner.

  4. Pedro Marta Santos diz:

    Não escrevia, o caralho. Se esse não escrevia…

  5. Pronto, caí aqui no meio de uma conversa de rapazes. Estejam à vontade, meninos.

  6. Bernardo Vaz Pinto diz:

    Escrevia sim senhor …até porque (dizia ele) “I never know what I think about something until I read what I’ve written on it.” Mas não tinha adivinhado…

  7. Rita V diz:

    conversa de rapazes eh eh eh
    🙂
    também recomendo o gerente ( sublinhado)

  8. M.C. diz:

    Alguém tem dois ou três substantivos para explicar porque Faulkner escrevia mais bem do que Nabokov? Ou meramente para dizer o motivo porque prefere uma a outro?

  9. M.C. diz:

    Eça de Queiroz escrevia de pé.

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