Cabaret

Nasci já tarde de mais para a cultura de cabaret que despiu e vestiu as gerações anteriores à minha. A música brasileira, com orquestrações excepcionalmente boas, violinos e metais como devia ser, era a cama onde toda a gente se deitava. De vez em quando vinha uma cantora e fazia a cama com lençóis arrebatados, lençóis de um branco vencido, esse branco vencido em que morre todo o grande amor. Ah, como tenho pena de não ter sido trágico a whiskie e noites longas.

 

 

Sobre Manuel S. Fonseca

O meu maior medo é que a morte seja tudo às escuras sem se poder ler. Pouco interessa deixar de ser humano, desde que não deixe de ser leitor. Ler é do mais feliz que tenho. Até porque escrever é triste.

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11 respostas a Cabaret

  1. Ó Manel
    Se a Tia o ouve vem a correr
    Tenho a certeza!
    ah ah ah

    • Manuel S. Fonseca diz:

      Rita, a Tia não vem a correr porque primeiro tem de vestir umas roupinhas decentes. ah,ah, ah

  2. Tarde? então não foste à nossa viagem de fim de curso, ao Ritz Club? onde ainda se podia cortar o cabelo, as pombas do mágico meio depenadas estavam, a bailarina erótica, jovial, sentava-se na mesa do “empresário” após a roupa caída, a bailarina exótica sopesava as peças que as carnes também acompanhavam a lei da gravidade, e o whisky era padronizado, numa marca única, (não fixei a marca, nunca a tinha visto, e pareceu-me que o engarrafavam no quarto dos fundos).

    A versão moderna do Astaire a dançar pelas paredes, atualmente… as pernas são melhores:

  3. Panurgo diz:

    P’ra putaria nasce-se sempre a tempo. Já não há é canções para elas.

  4. Margarida diz:

    Manuel, não fale mal do Ritz, era o cabaré possível, com cortinas grená cheias de pó, e uma empregada de mesa que, de madrugada, dançava a tarantella!

    • manuel s. fonseca diz:

      Só confirma o que eu disse, mas o que a Margarida diz tem muito mais graça.

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