Curso de fotografia

Era o curso de fotografia de fim-de-semana para gente apressada – à meia dúzia de horas é mais barato. Anda uma pessoa tantos anos pelo mundo com máquina fotográfica atrelada e num ápice percebe que faltava o Curso. Discurso: há regras para tudo, tararitarara, mas a mais importante é a paciência. Tivesse eu dado ouvidos à minha avó e já tinha poupado uns trocos.

É aqui que entra o título intercalar que, por acaso, devia ter sido o título principal mas não me lembrei a tempo (isto vai aos soluços, também ainda me falta o curso de Escrita em Blogues, um dia isto vai lá, é uma esperança):

HISTÓRIA DE UMA FOTOGRAFIA

Paciência. São precisas várias para contar a angústia do guarda-lentes antes da final.

Tudo começou com esta: D. João I avança a passo conquistador, de Boa Memória contra o castelo, perdão, contra Castela.

D. João I contra Castela. avistado a tempo por tc

A crise já levava 2 anos, 1383-85, a Independência a tremer. Mas nós, pela graça de Deus em Portugal e no Algarve, tínhamos um cavalo e um líder de ferro (nada de deitar fora nos tempos que correm)   inabalável como uma estátua.

Para ganhar uma batalha, aliados dão um jeitaço. Disseram-me que é na guerra e no amor (?), olhar em frente, o mesmo íman a puxar os passos.  

Para a batalha sao precisas asas firmes. Os aliados esvoaçam à volta, estão fora do enquadramento, não são práqui chamados. Com D. João I avançam dois pássaros destemidos: Nuno Álvares Pereira e… o outro por identificar. Pressinto que estou prestes a fazer uma descoberta histórica. Quem é o da frente?  Em cada ave que voa voa um homem, segreda-me o Cesarinny. Eu sei, por isso estou à espera. O maldito bicho não se mexia. Pensei na regra dos terços e comecei a rezar.

Gaivota que vai à frente alumia duas vezes, a da frente é o Condestável, vai uma aposta?, só pode, achava eu, de braços esticados e máquina em riste. A bicheza ignorava-me. Ou seria estratégia contra o inimigo? A resposta custou-me dois braços dormentes de tanto esperar. 

Padeira azeiteira voadeira, por tc estátua

Afinal a gaivota da frente era a padeira de Aljubarrota, eu bem a vi olhar-me de esguelha: saiu a correr para ir buscar o azeite.

 

Estava à espera que eu ficasse estátua.

Sobre Teresa Conceição

Ainda estou a aprender esta terra de hieróglifos. Tenho na mala livros e remoinhos, mapas e cavalos guerreiros, lupas e lápis de cor: lentos decifradores.
Sou nativa de Vadiar, terra-a-terra. Escrever? Ainda não descobri onde fica. Mas parto com bússola e farnel (desconfio que levo excesso de bagagem).

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14 respostas a Curso de fotografia

  1. manuel s. fonseca diz:

    Olha que post tão bonito! Este vê-se que deu trabalho. Trabalho minúcio-amoroso, mas trabalho. Quem me dera arranjar umas gaivotas para os meus posts…

    • teresa conceição diz:

      Ó Manel, mas qual trabalho? A única coisa que fiz foi não me mexer (isso é que custou à brava, logo eu que não páro quieta).

  2. Rita V diz:

    a Teresa é uma artista!
    Boa.

  3. Carla L. diz:

    Que linda seqüência….vê-se que teve paciência, aprendeu direitinho com sua avó.Horas mais tarde disseram avistar a gaivota retornando com um raminho de azeite no bico. Bom trabalho, Teresa!

    • teresa conceição diz:

      Ainda bem que a Carla também viu! É sempre bom ter mais que uma fonte a corroborar uma história inacreditável.
      E esta era nitidamente uma gaivota à frente do seu tempo. As pombas, como se sabe, é que só conseguem uns raminhos da oliveira. Esta avança logo com o produto líquido.

      • Carla L. diz:

        Afff….agora que vi…rss…isso não é licença poética e sim gastronômica!!!

  4. pedro marta santos diz:

    As gaivotas fazem tanto parte de Lisboa como a luz. Ainda bem que fixaste uma, Teresa.

    • teresa conceição diz:

      Obrigada, Pedro.
      Andar no fixanço não é mau de todo, tirando as câimbras ou cãibras (que são coisas mesmo esquisitas seja lá como fôr que se escrevam)

  5. G. diz:

    tanto na moda que está “imitar” que agora vou imitar o Sr Prof e dou CINCO valores pelo texto, fotografias e pela paciência que aprendeu ou herdou da sua avo!!!
    Parabéns Teresa por tudo!

  6. teresa conceição diz:

    Ena, que fixe ter professores assim!
    Muito obrigada, G.

  7. Bernardo Vaz Pinto diz:

    Belo azul , gaivota e estátua …curso para quê? Fez-me lembrar o Príncipe Feliz do Oscar Wild, só que a andorinha foi substituída pela gaivota do Tejo….

  8. Vasco Grilo diz:

    Muito bonito Teresa. O azul de Lisboa. Tal como o Pedro VP lembrou-me o Príncipe Feliz..

  9. Parabéns pelo artigo! Ficou bom demais, objetivo, didático, e dinâmico, principalmente para os que, assim como eu, querem aprender a tirar fotos melhores e tem curiosidade em aprender a arte da fotografia, que nada mais é do que “escrever com a luz”. Estou fazendo um curso de férias em Fotografia Digital e, neste artigo, só senti falta de um tópico que mostrasse e ilustrasse a comparação das objetivas (grande-angular, normal e tele-objetivas) assim como o uso do fotômetro, que ajuda a capturar melhor as fotos 😉

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