Filmes: Tarnished Angels

Por este pecado está Douglas Sirk* perdoado. Porque este é, a preto e branco, um dos seus mais belos filmes. Sendo quase o reverso de Escrito no Vento ** – a situação das personagens é antagónica, uma vez que os protagonistas de O Meu Maior Pecado*** são vencidos da vida – este filme também podia ser visto como um follow up, tão semelhante é o clima de desespero, a consciência do falhanço e a ausência de sentido para a vida. Com Sirk aprende-se como é que se move uma câmara sem que isso se perceba e aprende-se que o sexo, esse redondo centro das suas obras, é sempre o caminho mais curto para a morte****. É um pecado e Dorothy Malone a sua incarnação.

* Douglas Sirk, cineasta alemão como quase todos os grandes cineastas americanos.

** Escrito no Vento ou Written on the Wind (1956),  filme de Sirk com personagens ricas desesperadas e auto-destrutivas. Num technicolor deslumbrante.

*** O Meu Maior Pecado ou Tarnished Angels (1957), filme de Sirk com personagens pobres desesperadas e auto-destrutivas. Num preto e branco deslumbrante.

**** Parte da culpa é de William Faulkner que andou muito por este caminho curto. O filme é uma adaptação do seu livro Pylon.

 

Isto nem sequer é sótão. Foi uma nota escrita na revista “Face”, em Junho de 1989. A revista tinha alguma graça, mas foi de duração curta. Tive o prazer de trabalhar lá com o João Maria Mendes e com o Matos Cristóvão.

Sobre Manuel S. Fonseca

O meu maior medo é que a morte seja tudo às escuras sem se poder ler. Pouco interessa deixar de ser humano, desde que não deixe de ser leitor. Ler é do mais feliz que tenho. Até porque escrever é triste.
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5 respostas a Filmes: Tarnished Angels

  1. António Eça de Queiroz diz:

    A Malone deixa-me completamente Malone…

  2. Bernardo Vaz Pinto diz:

    Pois é, mais uma falha imperdoável…Não vi mas mais convencido fiquei que o (os) tenho de ver…lá vai a conta do cartão aumentar com a Amazon…e gostei do “cineasta alemão como quase todos os grandes cineastas americanos”…

  3. manuel s. fonseca diz:

    São tão boas as actrizes do Sirk. E a Zarah Leander? Hmm! Não perca, não perca, Bernardo

  4. pedro marta santos diz:

    Boas em que sentido, senhor engenheiro?

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