Letrinhas de algodão doce II

As nuvens são a escrita do céu, estava escrito.

Os editores que publicam textos de nuvens abusam claramente das escritoras, arrecadando na totalidade os direitos de autor. Para fugir às responsabilidades editoriais é-lhes fácil invocar argumentos enviesado: a autora desapareceu, ou encontra-se em parte incerta, ou tararitarara.

autoras em viagem

iCloud é o mais recente sucesso editorial. Blockbuster inesperado e disputado pelas editoras nacionais. E não, não é uma  biografia, ao contrário do que uma tradução apressada faria supor. “Eu, nuvem, me confesso” parece mesmo que vai aguardar indefinidamente publicação em Portugal. Conta-se que o tradutor fugiu com um guarda-chuva.

 

Sobre Teresa Conceição

Ainda estou a aprender esta terra de hieróglifos. Tenho na mala livros e remoinhos, mapas e cavalos guerreiros, lupas e lápis de cor: lentos decifradores.
Sou nativa de Vadiar, terra-a-terra. Escrever? Ainda não descobri onde fica. Mas parto com bússola e farnel (desconfio que levo excesso de bagagem).

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8 respostas a Letrinhas de algodão doce II

  1. pedro marta santos diz:

    Já estive hoje a olhar para elas.

  2. … e a dança do vento?
    a empurrar
    a empurrar

  3. manuel s. fonseca diz:

    Mas que autora mais lamechas: desfaz-se em água ao menor sopro.

    • teresa conceição diz:

      Pois. É por desculpas de mau pagador como essas que as coisas são como são.
      E as nuvens continuam celestiais habitantes sem qualquer protecção ou defesa. Sem segurança social, sem horas extraordinárias pagas, sem subsídio de natal, sem possibilidade de reforma antecipada. E nem precisaram de esperar por medidas governamentais adversas. Para elas sempre foi assim. Nunca tiveram sindicato.
      Não hão-de elas vaguear sem rumo.

  4. Bernardo vaz Pinto diz:

    Teresa fez-me lembrar o título de um dos albuns dos Pink Floyd “Obscured by Clouds”, são nuvens que, como as memórias e a vida , passam e nunca mais voltam a ser as mesmas, mas continuam a existir…

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