Pedro Proença

Pedro Proença

Nem preciso de pedir que olhem lá para cima, para o banner deste blog Triste. Já todos viram que, agora, Escrever é tão Triste como ser o Bacalhau um Peixe. Quem o diz, quem assim nos retrata, é o Pedro Proenca, respondendo ao pedido que a Rita Vasconcellos lhe fez.

Creio que sou um bocadinho mais nova do que o Pedro Proença, mas atrevo-me a dizer que ele tem cara de miúdo.

Agora, imaginem que nunca lhe viram a cara. Não precisam: bastava que dele tivessem visto uma tela, uma tinta-da-china em papel para saberem que ele desenha com a irreverência de um miúdo. Digo mais, quem dá corda ao neo-canibalismo de um movimento homeostético (seja lá isso o dadaísmo que for!) há-de ser um miúdo toda a vida. Uma cara de miúdo, uma mão de miúdo e o resultado é ele desenhar tão bem, muitíssimo bem.

Estamos Tristemente orgulhosos – ao meu orgulho junta-se o orgulho dos outros Tristes – por termos agora a bandeira que está lá em cima.

Parece que o Pedro nasceu em Angola, em 1962, mas para o que ele desenha e pinta é como se tivesse nascido em Lisboa. A cara dele está sempre a sorrir, o que é raro num artista português. O sorriso é a sua extrema forma de provocação.

Dizem-me que é impossível alguém estar sempre a sorrir. Têm razão. De vez em quando não está mesmo, porque solta uma gargalhada. As gargalhadas lazúli do Pedro Proença são de uma alegria estrepitosa, eufórica. Não há ouvidos que não lhe gostem do riso argentino e solto. Que se note o holofote, é como fica no papel cada gargalhada dele.

Podem dizer-se muitas coisas – atópicas – sobre a pintura do Pedro Proença. Mas são tantas as singularidades, tantas como pãezinhos quentes, que nenhuma coisa, única, absoluta, algum dia conseguirá encerrá-la na pretensiosite duma redoma de verdade. É uma pintura que se escreve, que filosofa, mas que não congela.

Se eu tivesse a arte do axioma talvez conseguisse provar que a pintura dele é, visualmente, a música que um lógico como M.S. Lourenço gostaria de ouvir numa tela. Confesso que gosto da flora e fauna dele. De alguns dos narizes (nostalgias dadaístas que não são brincadeira nenhuma) que pinta. São narizes que esticam, e esticam às vezes muito, indiferentes à mentira e à verdade. A pintura dele tem peixes. Ao Escrever é Triste trouxe este peixe, todo cheio de cuidados para não me sujar o vestidinho.

Não se ria, Pedro, mas tenho de lhe dizer: muito obrigada.

Sobre Escrever é Triste

O nome, tiraram-mo de Drummond. Acompanho com um improvável bando de Tristes. Conheço-os bem e a eles me confio. Se me disserem, “feche os olhos”, fecharei os olhos. Se me disserem, “despe-te”, dispo-me.
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23 respostas a Pedro Proença

  1. manuel s. fonseca diz:

    Faço minhas as palavras da Querida Tia: obrigado ao Pedro Proença. Temos hoje o mais lindo, o mais português e o mais irreverente banner da blogosfera. Mais nada!!!

  2. Rita V diz:

    Pedro, Tia, Manel que belo Banner e que alegria, entrar assim nesta nossa casa Triste.
    OBRIGADA PEDRO

    • Escrever é Triste diz:

      A menina Rita é que é a master mind. Que bem que pensou e que bem que tem escolhido. Caramba: já aqui trouxe a Ana Vidigal, o Cruzeiro Seixas, agora o Pedro Proença. Só lhe digo, querida: quero mais.

  3. Teresa Veloso diz:

    Adorei o banner Pedro.`
    Obrigada à mentora Rita, ao Manel e a todos os Tristes

  4. Em Janeiro de 1981 eu estava sentada num banco do átrio da SNBA
    Tinha encostado às pernas um rolo com papéis de cenário cheios de colagens e pinturas a tinta SABU. Esperava por uma reunião com o C. Técnico da Sociedade. Tinha 20 anos e queria expor o meu trabalho.
    Aparece do nada um miúdo aos saltos, a fazer caretas e risinhos. Sentou-se. “Chagou-me” com perguntas. Se andava nas Belas Artes, o que estava ali a fazer, de quem eram as pinturas enroladas. Nunca mais se calava e parecia estar sempre a fazer eheheheh
    Por fim perguntou-me como é que eu me chamava. Lá respondi, enfadada, Ana Vidigal.
    “Hummmn, nunca ouvi falar. Mas olha, eu sou o Pedro Proença e ainda vais ouvir falar muito de mim.”
    Foi assim que nos conhecemos.
    Lembras-te Pedro?

    • Escrever é Triste diz:

      Ó Ana, esta sua lembrança é que devia ser o post de apresentação. Ah, se a Rita me tivesse dito… Obrigada pela partilha.

  5. Panurgo diz:

    Volta Eugénia, volta, que ao ler estas coisas alembram-se-me logo as tuas luzes de fora filtradas para dentro. Volta.

    • Escrever é Triste diz:

      Não sei se me atreva a chamar-lhe Querido Panurgo, mas quase que o consegui ver, meio sátiro, no meio da floresta, a clamar pela nossa Eugénia. Também eu gostava que ela voltasse. Com ela sempre oferecíamos pérolas aos nossos artistas convidados em vez dos meus pechisbeques de Tia.

  6. António Eça de Queiroz diz:

    Originalidade é o termo.
    E a críptica do vestidinho pareceu-me óptima…
    Obrigado Pedro Proença.
    (bravo, Rita!)

    • Escrever é Triste diz:

      Também gostou do vestidinho, querido sobrinho? Quer ver pelas avessas a ver se decifra?

  7. pedro marta santos diz:

    Grande banner! Muito obrigado.

    • Escrever é Triste diz:

      Depois de ler o seu Início, quem apresenta o próximo é o meu lindo sobrinho, sim?

  8. Bernardo Vaz Pinto diz:

    Primeiro à Tia por dar à luz, depois à Rita que teve a ideia, depois aos artistas, onde se inclui o Pedro, a quem também agradecemos. É um belo Banner (e um grande Blog….!!!)

  9. Pedro Bidarra diz:

    Mais uma bela interação

  10. Diogo Leote diz:

    Chega um gajo das Américas e é logo recebido com um brilhante banner do Pedro Proença. Eu, que tenho a sorte de o ver todos os dias – não ao banner, nem sequer o Pedro Proença himself, mas um seu acrílico sobre papel, que é o orgulho da parede mais vaidosa de minha casa -, agradeço com todas as vénias e salamaleques que conheço.

  11. Escrever é Triste diz:

    Olhe só que sorte a sua, menino Diogo.

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