Ter medo do medo de se ter medo, é o maior medo de todos.

Medo da Pobreza

Medo da Doença

Medo da Crítica

Medo de Perder o Amor de Alguém

Medo da Velhice

Medo da Morte

 

 

 

 

 

 

Sobre Rita Roquette de Vasconcellos

Apertava com molas da roupa, papel grosso ao quadro da bicicleta encarnada. Ouvia-se troc-troc-troc e imaginava-me a guiar uma mobylette a pedais enquanto as molas a passar nos aros não saltassem. Era feliz a subir às árvores, a brincar aos índios e cowboys e a ler os 5 e os 7 da Enid Blyton. Cresci a preferir desenhar a construir palavras porque... escrever é triste.
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49 respostas a Ter medo do medo de se ter medo, é o maior medo de todos.

  1. Teresa Veloso diz:

    “The whole secret of existence is to have no fear”
    just believe!

  2. G.Rocha diz:

    Concordo com a Teresa Veloso, ao acreditar no medo, o medo torna-se medo. Dos Seis medos que desenhou, o único do qual tenho respeito é o da velhice com dependencia, se for velhice lucida, autonoma e vivida não tenho “medo”, ela que venha, o pior é se é a outra a dependente, a esquecida….. desse mal espero como todos esperamos …que não nos bata à porta!
    Todos os outros medos de facto são assustadores, mas no fundo nós sabemos que são ultrapassáveis… hoje é-se pobre amanhã com um golpe de sorte ou com trabalho deixamos de ser; hoje estamos doentes, mas com tratamento vamos vencendo e adiand a morte; a crítica faz parte da vida, ela é boa ou má conforme a fazemos e o que ela nos faz; se o Amor for verdadeiro não se perde…mantém-se mesmo que seja só amizade (outra espécie de amor); a morte para mim sempre foi o bem e nao o mal. Eu sou daquelas que acredita que a morte é um novo principio para melhor!

    • luzia gourgel diz:

      Concordo com G.Rocha
      De todos os medos que existem e nunhum deles é tão simples de ultrapassar mas, o maior, na minha opinião será o da velhice com dependênci, sem qualidade de vida.

  3. Bernardo Vaz Pinto diz:

    Felizmente que não podemos ser nós a decidir como iremos acabar… ter medo do que pode vir ser é reduzir a vida à antecipação e à ansiedade, mas é humano.

    • Nem o ‘ Tolle ‘ diria melhor
      😀

    • MJC diz:

      Sim, não se escolhe ter medo por antecipação. É paralisante. Acredite que se as pessoas pudessem escolher não ter medo por antecipação o fariam. Há coisas, no cérebro humano que fogem ao auto-controle. Essa é uma delas.

      • na mouche …
        mas deixe-me ser um pouco ‘calista’ e dizer-lhe que acredito que a total entrega ao presente, ( e pode dar-se muitos nomes a este ‘presente’) é um caminho poderoso para conquistar ( e não digo vencer ) o medo.

        • MJC diz:

          Não Rita, tenho um filho com 16 anos que está com uma “fobia social/evitamento social” ao ponto de não ser capaz de sair de casa para ir às aulas. Tive que o inserir no “ensino doméstico”. Não imagina o quanto ele sofre por esse facto. Com adultos está bem, relaciona-se sem problemas, vai a restaurantes … mas não consegue, não aguenta estar numa escola e relacionar-se inter-pares (faz parte do quadro). Em casa estuda, canta, dança, chateia-me o juízo como qualquer adolescente que se preze … Foi um miúdo que sempre foi vítima de bullying e nunca ninguém, na escola, valorizou as minhas queixas. O resultado foi este. Antes assim, porque há quem termine de uma forma pior …
          Temos o exemplo carismático da Kim Bassinger que teve uma agarofobia – 2 anos sem sair de casa, segundo li.

          • MJC diz:

            Faltou acrescentar que logicamente está medicado e em psicoterapia. Acredite Rita, há formas de ser, é portanto uma questão intra-pessoal, que ultrapassa a vontade, a atenção … e por ai fora!

          • MJC está a falar de Agorafobia, do medo latente/inconsciente; neste post tenho dado mais ‘atenção’ ao medo ‘consciente’ se é que posso fazer esta divisão assim de forma tão evidente.

  4. pedro marta santos diz:

    Gosto muito do “ter Medo de perder o amor de alguém”.

  5. MJC diz:

    Talvez remando contra a maré, do que tenho aqui lido sobre o assunto, tenho que dizer: ter medo é imprescindível para sobrevivermos, torna-nos vigilantes.
    Mas claro, que uma coisa é o medo saudável e funcional, outra é o medo exacerbado sobretudo o que funciona por antecipação excessiva ao ponto de paralisar as pessoas.

    • 😀 se calhar a palavra exacta até nem é ‘medo’.
      que é feito da Atenção?

      • MJC diz:

        🙂 Ter ou não ter atenção é uma consequência do medo que nos alerta para … “eu sei que se não tiver atenção ao atravessar uma estrada a probabilidade de ser atropelada e morrer é muito grande. Ora, se tenho medo da dor do atropelamento e se não quero morrer … tenho que ter atenção ao atravessar uma estrada.

        • 🙂
          não me refiro a essa atenção. mas compreendo a sua resposta

          • MJC diz:

            Rita, não há medos inconscientes. Isso não existe. Há medos. Ponto. Podem ou não ser funcionais. Quando, pela forma de ser da pessoa eles são incapacitantes podem/devem é ser racionalizados e tentar dar a volta por cima. Raramente se consegue sozinho. Há quem tenha medo de cães e se recuse a andar num jardim publico ou numa rua e há os que embora tendo-o conseguem geri-lo. Tome como exemplo o caso da Nikole Kidman com a sua fobia a borboletas. Já tentaram que ela entrasse acompanhada, num museu de história natural, nem sequer estavam vivas e foi incapaz de o fazer. Mas isto são apenas retalhos para uma coisa muito, muito complexa.
            Percebi-a. Mas por vezes simplificamos as coisas. Só lhe quis dizer que não podemos ser tão lineares
            Passando para um outro plano, o medo de voltar a apaixonar-se, de amar porque houve um acontecimento traumatizante, consciente ou inconsciente (não gosto muito destes termos, prefiro “racionalizados ou não racionalizados). Fico-me por aqui … 🙂

          • Obrigada por partilhar a sua opinião MJC mas não posso concordar consigo. Há medos inconscientes que dão origem a comportamentos erráticos, fobias, etc … O medo irracional vem de onde? O inconsciente é um mistério!
            😀

  6. MJC diz:

    Peço desculpa se me alonguei tanto mas como devem compreender é um assunto que me toca particularmente. Até agora tinha a mesma posição que o comum dos mortais. Quando me bateu à porta comecei a estudar afincadamente o assunto para tentar perceber (tendo inclusive já feito uma apresentação na turma do meu filho para que os miúdos percebem o que se passava com ele) e acreditem, de tudo o que li não está na vontade da pessoa quer ou não querer. Todas têm essa vontade, a questão reside no “conseguir ou não conseguir”. Para isso é preciso sempre um outro. Seja um terapeuta ou alguém que não desiste de nos levar a bom porto … seja do medo de envelhecer porque se pode ficar dependente, seja do medo de amar ou de aceitar um novo desafio profissional …
    Rita, agarofobia e fobia social são coisas diferentes, embora, claro, dentro do quadro das fobias :.).

  7. MJC diz:

    🙂 pois …….. já não dá para responder directamente mas respondo aqui. Esses medos ditos inconscientes, não são mais do que medos que estão inscritos na nossa memória genética quer ao nível da ontogénese quer da filogénese. Claro que originam fobias por uma questão de sobrevivência. Se há aranhas venenosas, que matam, temos que ter medo delas, temos que estar atentos para sobrevivermos! A questão centra-se na tal racionalidade. Sem ela generalizamos de um modo não racional para tudo quanto é aranha e desenvolvemos fobias nas quais as 6 que a Rita refere, nos belíssimos desenhos, estão bem patentes. Este paradigma aplica-se a tudo mas mesmo a tudo. 🙂 Não sou muito da linha psicanalítica. Estou noutra onda, mais das neurociências. Acredito, e é um acto de fé, que há muitas coisas que até agora não tinham explicação que passarão a tê-lo com o desenvolvimento das neurociências. O estudo das memórias (intencionalmente no plural) é um dos tais mundos que me fascina! 🙂

  8. G.Rocha diz:

    Concordo com as duas (Rita e MJC). Eu por exemplo tenho medo do ZZZZZZ (tanto faz se é de abelha, vespa, moscardo….) é o barulho que me incomoda. Inconscientemente eu associo o dito barulho ao barulho da serra que me cortou o osso numa operação que fiz…. dizem os entendidos… que apesar de estar inconsciente, que ouvi!
    Tenho medo de cães, mas sou das tais que com o tempo fui “gerindo” esse medo… hoje consigo continuar a andar no mesmo passeio em que está o cão :), antigamente nem que tivesse que dar uma volta super grande, mas eu dava, para não passar sequer no mesmo passeio! Este “medo” (a que eu chamo receio) nunca ninguém me soube explicar…. porque eu nunca fui “atacada” por nenhum cão em tempo algum…. e mais… eu própria já tive três cães em casa (ou seja meus). Então porque receio os outros?!?! Algo inexplicável, quer racionalmente, quer conscientemente. 🙂
    Penso que o medo advém sobretudo de factos que não conseguimos controlar, tais como catástrofes naturais e outras situações semelhantes…. agora nós temos RECEIO e RESPEITO pela morte, pela doença, pela pobreza, pela perda do amor, pela crítica e pela velhice.

    MJC: bullying é um termo moderno… que se inventou para algo, que infelizmente existe há muito tempo. Também fui vítima dessa estupidez própria (dizem) dessas idades! Graças a Deus não fiquei tão marcada, mas também os tempos eram outros, logo as maldades eram menos más…. ou então não tinham as proporções que hoje tomam 🙁
    Lamento a situação pela qual está a passar. Força para si e para o seu filho!

  9. manuel s. fonseca diz:

    Mas que extraordinário diálogo. É das coisas mais bonitas que se publicou neste blog. Estou a falar a sério, MJC. E esse estudo das memórias (intencionalment no plural) interessa-me muito…

  10. António Eça de Queiroz diz:

    Pois, no fundo estes diálogos são o texto ideal para os fantásticos desenhos da nossa Rita.
    E dei comigo a pensar do que realmente tenho medo, e a concordar com MJC no que respeita às neurociências. Li há cerca de um ano o António Damásio no seu ‘Ao encontro de Espinosa’ e achei brilhante a sua exposição, que tem tudo a ver com isto de que aqui se fala.

  11. MJC diz:

    Alguém tem um lenço para me emprestar?
    O prazer foi meu e só tenho a agradecer à Rita pela “luta”. Gosto muito de absorver e partilhar ideias, informações, conhecimentos… Confesso que às vezes me tenho retraído. Estou traumatizada (medo) com a participação em blogs, eheheheh. Tenho aqui andado no meu pc a ver se descubro uma “historieta” que uma vez escrevi sobre os medos. Quando a encontrar ponho no meu blog.:-) 🙂 🙂

  12. A Virgina Wolff é que metia muito medo 🙂

  13. pedro marta santos diz:

    MJC, só para dizer que ando a ler o Luc Ferry de que fala, na edição em inglês da Harper Perennial, e estou a gostar muito. Tem passagens sobre a morte e o passado que são modelares. Cumprimentos

  14. MJC diz:

    Completamente de acordo; PMS. Li a edição do Círculo de Leitores. É um livro que tenho sempre à mão e faz parte do role daqueles que não empresto a ninguém, rsrs Talvez por não se vender nas livrarias, a sua divulgação é tão restrita, o que é uma pena pois é notável não só pelo que aborda mas, também com a grande vantagem, de ser escrito numa linguagem muito acessível pois o público-alvo são não especialistas em filosofia incluindo adolescentes: trata o leitor por tu, como se fossemos velhos amigos e estivéssemos numa esplanada, em frente a umas jolitas numa amena cavaqueira de um fim de tarde daqueles “il dolce far niente”

    Fala-nos exactamente sobre essa condição humana inquestionável; a finitude do corpo físico. Para muitos, uma certeza da finitude total. Para outros, uma incerteza. Como é que as diferentes religiões e filosofias nos ajudam a vencer o medo da morte e a questão da salvação: “filosofia e religião são duas formas opostas de abordar a questão da salvação”. Centrado nestas questões ajuda-nos a perceber a ponte entre muitos paradigmas filosóficos e religiosos que parecem desgarradas, antagónicos. Como diz a crítica do Le Nouvel Observateur “uma obra extremamente estimulante, e raríssima nos dias de hoje, que exalta a capacidade de o homem reflectir sobre o seu destino e a sua finalidade”. Logo no 1º Capítulo há uma frase que ressalto: “… é isto que, claro, que Montaigne quer dizer quando, também ele fazendo alusão aos antigos filósofos gregos, nos garante que filosofar é aprender a morrer”
    A conclusão, quanto a mim simples é também notável. Deixo um excerto
    “Um dia escrevi um livro sobre o meu amigo André Comte-Sponteville, o filósofo materialista pelo qual nutro o maior respeito e amizade. Tudo nos opunha: tínhamos praticamente a mesma idade, poderíamos ser rivais. André vinha politicamente do comunismo, eu, da direita republicana e do gaullismos. Filosoficamente ele inspirava-se em Espinosa e nas sabedorias do oriente, eu, em Kant e no cristianismo […] graças a André compreendi a grandeza do estoicismo, do budismo do espinosismo, de todas essas filosofias que nos convidam a “esperar um pouco menos e a amar um pouco mais”. Compreendi igualmente como o peso do passado e do futuro pode estragar o gosto pelo presente e fiquei mesmo a gostar mais de Nietzshe e da sua doutrina da inocência do devir. Nem por isso me tornei materialista, mas já não consigo passar sem o materialismo para descrever e pensar algumas experiências humanas”

  15. Ana Rita Seabra diz:

    Medo de ter medo… havemos de ter medo sempre de alguma coisa, ou não?
    Ó Rita, os desenhos dão muito que pensar e falar né???
    Mil beijos

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