Emozioni a squarciagola*

Vivo em Itália há coisa de onze anos. Foram onze anos de árduo trabalho mas eu soube sempre que a recompensa estaria ali ao alcance da minha mão. Uma mão que bastava estender para poder empunhar um acorde que sem razão aparente se cristaliza de repente no ar. Ou um verso que, na sua simplicidade, se revela semplicemente bellissimo! E lá no fundo sabia que tudo dependia da minha capacidade de deixar cair por terra preconceitos obsoletos e outros pudores primitivos. Assim, hoje, sem os problemas de consciência que a minha bagage musical me poderia trazer, passei a poder cantar, com ou sem companhia, ao volante e a pulmões abertos ou olhando o pôr do sol num expressivo sotto-voce mais melancólico, alguns dos melhores exemplos do talento e incrível musicalidade deste país que devagar devagarinho continuo a tentar perceber. E olhem que não é fácil. Claro que os fãs da musica popular Italiana me dirão que não precisava de vir até aqui tão longe para compreender o óbvio, mas eu sou assim. Preciso de ver para crer, suponho.

Aqui ficam dois desses exemplos e seja o que Deus quiser.

 Lucio Battisti – Emozioni 1970

Mina – Amor Mio 1971

 * lacerar, fender, rasgar com violência, a garganta.

Sobre Vasco Grilo

Quando era rapazola dei demasiadas cabeçadas com a minha pobre caixa de osso. Hoje, como deliciosa consequência, encontro a minha razão intermitente como uma rede WI-FI, sem fios nem contrato fixo. Por vezes suspeito que a minha alma seja a de um velho tirano sexista e sanguinário, prisioneiro no corpo perfumado e bem-falante de um jovem republicano. Mas talvez eu seja só é um bocado sonso. A cidade para onde me mudei no final do século passado chama-se Aerotrópolis. Daqui partem todas as estradas e para aqui todas elas confluem. Em seu redor e para minha sorte, está um mundo que é grande e ainda muito comestível. Creio que a verdadeira felicidade possa causar uma certa tristeza. E por isso e só por isso, aqui, escreverei.
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7 respostas a Emozioni a squarciagola*

  1. Carlinhos diz:

    Alo Vasco
    Qualquer dia não te vou reconhecer na rua, pois vais estar, qual jogador da bola Italiano, com aquele aspecto que nós sabemos…
    Abraços

  2. Alberto Perry diz:

    Só o teu “Roma”ntismo (por seres originário da Av. de Roma) ixacerbado de grande conquistador platónico (leia-se quase Paladiniano) poderá explicar uma leitura e um interesse deste tipo !!Não tendo eu uma cultura musical aprofundada, julgo que procuras qualquer coisa que se predeu nas musicas contemporaneas, será?És o maior!

  3. pedro biu diz:

    Não sei qual dos exemplos o melhor…tanta musiquinha boa que ouvimos e dás nisto???? tens de voltar para ver se te curas, caso contrário também temos o Clemente e a Ágata!

  4. asbrubal diz:

    Canta homem. Dá-te gozo cantar estas coisas? Continua. Estás no caminho certo. O importante é que te sintas bem. Deixa-os falar. Eles também as cantam têm é vergonha de o dizer 🙂
    Um abraço

  5. Vasco Grilo diz:

    Eu sabia que isto se iria complicar…
    E quem será esta tal de Ágata? O Clemente sei quem é.
    Vou investigar.

  6. manuel s. fonseca diz:

    Mas a Mina é uma máquina maravilhosa de emozioni.. É assim mesmo. Gostei de tudo.

  7. Vasco grilo diz:

    Eu sabia que me irias comprender Manel!
    Forte abraco!

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