Filmes: Imitation of LIfe

Imitação da Vida foi um filme que o alemão Douglas Sirk fez quando era um artista americano. E foi um retrato da situação dos negros americanos feito décadas antes de alguém sonhar com o slogan “black is beautiful”.
Melodrama de grandes paralelos e de grandes contrastes, Imitação da Vida mostra o destino de duas mulheres (uma branca, outra negra) e a forma como a vida delas se espelha nas respectivas filhas.

Tem um final feliz em que não é preciso acreditarmos, basta confiarmos nos nossos sentidos que vêem passar pela tela seres humanos comuns pintado a uma luz incomum. Basta acreditar na cor magnífica, na câmara quase sempre mais baixa do que as personagens, filmando as cenas em contra-picado e na pompa belíssima do funeral que é o acumen dramatúrgico do filme. “The funeral looks like a farewell,” disse alguém que nem sabia estar Sirk a despedir-se de Hollywood com essa derradeira obra de 1959.

Sobre Manuel S. Fonseca

O meu maior medo é que a morte seja tudo às escuras sem se poder ler. Pouco interessa deixar de ser humano, desde que não deixe de ser leitor. Ler é do mais feliz que tenho. Até porque escrever é triste.
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6 respostas a Filmes: Imitation of LIfe

  1. Rita V diz:

    A prova que mais vale tarde, que nunca e mesmo que me chamasse Eugénia não conseguiria explicar tão bem como ela.
    😀

  2. manuel s. fonseca diz:

    Rita, não sabia que era uma coisa tão profunda. Mas, ó Rita, um vídeo de 30 minutos? ehehehehe

  3. Do Kirk Douglas há uma boa, ele faz de Doc Holliday no Gunfight at the O.K. Corral, que se supõe ter tuberculose ou coisa parecida, só que o Kirk tinha um grande caparro e transpirava saúde por todos os poros, uma vez por outra lá tossia para perecer doente (os papéis em Hollywood eram dados aos amigos).

    http://www.youtube.com/watch?v=1yLt0kzJIUQ

    • manuel s. fonseca diz:

      Taxi, qual é a graça de ter um tuberculoso a fazer de tuberculoso? O excerto é bom e o Kirk tosse muito bem…

  4. Bernardo Vaz Pinto diz:

    Manuel não acredito que seja possivel ver o filme sem deixar cair uma lágrima verdadeira e sentida, especialmente na despedida, na música e no retorno “da filha pródiga”…arrepiante!

    • manuel s. fonseca diz:

      Claro que não, Bernardo. É preciso chorar. Na altura já vendiam as entradas com um kit completo: bilhete, lágrima & Kleenex.

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