From Lisbon to Heaven

Será, seguramente, o primeiro álbum a ter aqui a sua estreia antes mesmo de ser editado. E será, talvez, este que vos deixo acima, o primeiro trailer de apresentação de um álbum a ser aqui publicado. Como trailer que é, não diz grande coisa. Mas eu que já dele ouvi uma boa parte, garanto-vos que vem aí grande coisa. Coisa maior ainda do que Lisbon, o anterior – e magnífico também – álbum que os americanos Walkmen fizeram sob a inspiração de uma memorável visita à nossa capital (há quem diga que não foi nada disto, que o título Lisbon está lá só porque foneticamente lhes soou bem, mas eu prefiro acreditar que a criatividade brota instantaneamente assim que uma alma de outras paragens põe o pé em Lisboa). Agora, os Walkmen estão no céu, e de lá não vão sair tão cedo. Não vão sair tão cedo nem se deixam ver e ouvir, a não ser para uma restritíssima e exclusivíssima pandilha de bloggers que tenham a tristeza estampada na escrita e seus leitores e ouvintes.

Dito de outra forma: os Walkmen, só porque gostam muito de nós, gente que gosta de coisas tristemente belas como eles, deram-nos o exclusivo de Heaven, o tema-título do novíssimo e prometedor álbum. Isto enquanto o resto do mundo não o conhece, o que só acontecerá a 28 de Maio, data prevista para o lançamento a nível mundial. Aproveitem, porque é um segredo só vosso durante quatro dias. E que prazer para os ouvidos é um segredo assim sussurrado. Para mim, que sou dado a organizar lá para fins de Dezembro um top 10 das músicas do ano, este Heaven que abaixo vos deixo vai, por enquanto, em primeiríssimo lugar.

Sobre Diogo Leote

Longe vão os tempos em que me divertia a virar costas a senhoras que não gostavam de Woody Allen. Mas os preconceitos de então ficaram-me. O de preferir as vozes sofridas e os gritos de raiva, ou os sons negros e abafados, ao fogo-de-artifício dos refrões fáceis. O de só admitir happy ends em situações excepcionais, quase sempre em histórias de amor em que ninguém apostaria um cêntimo. O de não procurar encontrar explicação para os desígnios insondáveis da sedução ou para tudo o que não é dito, que é quase tudo, na grande arte. E continuo com esta mania de andar atrás da tristeza. Dizem os psicólogos que isso é um privilégio dos que não a têm no seu código genético. Eu não os desminto. A verdade é que, se não embirrasse tanto com a palavra “feliz”, até a usaria para exprimir o prazer que sinto ao escrever sobre almas abandonadas ou corações destroçados. Ainda bem que escrever é triste.
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9 respostas a From Lisbon to Heaven

  1. Diogo. Vou esperar estar ‘face 2 face’ para te dizer o que penso deste teu rapaz que não larga o microfone, por nada deste mundo….
    ah ah ah

  2. Diogo Leote diz:

    Este rapaz – o nova-iorquino Hamilton Leithauser -, garanto-te eu, que já o vi ao vivo, é de uma intensidade que poucos têm na relação com o microfone. Sorte a do microfone que tem o privilégio de receber tanta intensidade!

  3. Maracujá diz:

    Ao princípio o trailer quase chegou a cativar-me…
    Para começar seriam 3mg de Midazolam e ouviria esta “melodia” até ao final.
    No caso do concerto teria de acrescentar 200mg de Propofol e 0,15 mg de Fentanil não fosse acordar com mialgias no Estapédio ou Martelo. Uma mascara laríngea e um ventilador “et Voilá”!
    Ah! Já me esquecia! Lorazepam 2 mg trinta minutos antes, não fosse acordar com algum trecho na memória.
    Não me leve a mal, caro Diogo. Não é nada pessoal e garanto-lhe que sei que os gostos são indiscutíveis.
    Chamem-me no mínimo indelicada, mas confesso que desta vez não resisti ao chamamento da “sua” música.
    É esta minha mania de ser mal comportada, ao jeito da “Ninfita de Humbert Humbert”, que me persegue!
    De qualquer forma, caro Diogo, ficou a curiosidade para ver Hamilton Leithauser e a sua relação com o microfone ao vivo! Quem sabe se ainda gosto!

  4. Bernardo Vaz Pinto diz:

    Gostei Diogo, não conheço bem, mas gosto muito da força ao vivo…que aliás é a prova de fogo para muitos…Boa “malha”!

    • Diogo Leote diz:

      Bernardo, o anterior álbum dos Walkmen, apesar de ter como título Lisbon e de ser bastante bom, passou despercebido a muito boa gente. Mesmo assim, quase encheram o Coliseu vai para dois anos, num belíssimo concerto a que tive o privilégio de assistir. Este álbum, pelo que tenho ouvido na Radar, ainda é melhor.

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