Jodidos pero contentos

Pois é. Cá estamos nós outra vez na estação dos festivais. E não. Não falo desse colorido assalto aos sentidos que é o Festival da Eurovisão (só essa palavra, é, em si mesmo, um anacronismo), mas sim na estação destes MEGA RIO, SUPER KNOCK, ROCK N´ DOCK, DRINK ME UP, SUCK ME HARD, FUCK ME NOW sort of Festivals, que como hipermercados de entretenimento super-sized passaram a arrastar centenas de milhar de aficionados musicais, quase todos falidos e sem cheta, para empoeirados recintos de circo instalados na periferia das nossas cidades e onde aí se dedicam ao livre consumo de música em grandes pacotes tetrapak, enchurradas de cerveja aguada, muitos químicos de importação e com sorte algum sexo, deixando com isso, pelo meio do pó, alguns milhões de euros que não possuem e que por sua vez se repartirão pelos diversos agentes económicos internacionais que proporcionaram e patrocinaram o espectáculo, bem hajam eles, benza-os Deus três vezes.

Na minha inocência, acredito que isto de alguma forma tenha um impacto positivo na economia, que de alguma forma origine alguma inovação, crie emprego e produza riqueza. Sim acredito. Afinal de contas, com tanta juventude reunida não é possível que tal não suceda.

E também se tal não for verdade, é já bom que o pessoal curta e limpe a cabeça do stress da vida sempre a bulir. É tão dura a vida dos nossos jovens. Olha, fazemos assim de conta que estamos na boa, que o ano é o de 1998, que isto é tudo nosso, passa aí mais um charro meu, ganda som este o dos Morcheeba, olhá Filipa que está a chegar com as amigas, VIVA Portugal, caralho!

Descambo. Fico por aqui. E fiquem com a Buika que não tem cara de se meter em festivais e que com o seu talento quase maior que o espaço que tem entre os seus alvíssimos incisivos centrais, canta que se farta. Canta fodida, é certo, mas canta contente.

 

Sobre Vasco Grilo

Quando era rapazola dei demasiadas cabeçadas com a minha pobre caixa de osso. Hoje, como deliciosa consequência, encontro a minha razão intermitente como uma rede WI-FI, sem fios nem contrato fixo. Por vezes suspeito que a minha alma seja a de um velho tirano sexista e sanguinário, prisioneiro no corpo perfumado e bem-falante de um jovem republicano. Mas talvez eu seja só é um bocado sonso. A cidade para onde me mudei no final do século passado chama-se Aerotrópolis. Daqui partem todas as estradas e para aqui todas elas confluem. Em seu redor e para minha sorte, está um mundo que é grande e ainda muito comestível. Creio que a verdadeira felicidade possa causar uma certa tristeza. E por isso e só por isso, aqui, escreverei.
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11 respostas a Jodidos pero contentos

  1. Rita V diz:

    não fumo há 25 anos e agora apeteceu-me … ouvir o clic do Dupont, queimar os pulmões de um trago a ouvir Jack Daniels e a Buika
    ganda texto
    http://www.youtube.com/watch?v=DZRPLEElfxU
    AVISO que FUMAR MATA

  2. pedro marta santos diz:

    Joder! Seja bem regressado, amigo Vasco.

  3. manuel s. fonseca diz:

    Para uma grande Buika, um grande Vasco. Aleluia.

  4. Bernardo Vaz Pinto diz:

    Coño…é isso mesmo Vasco, já não há outra hipótese, é viver enquanto cá estamos…e vou ver o Boss à Bela Vista!!!

    • Vasco diz:

      Bernardo , confesso-te que tenho e tive sempre uma profunda implicação com o teu Boss. Tenho no entanto em casa uma seguidora incondicional e com o tempo fui-me habituando…

      Um abraço

      • Bernardo Vaz Pinto diz:

        Há esforços mais penosos Vasco, com certeza…Mas a grande Buika é definitavemente para ser sentida e ouvida noutros ambientes…abraços

  5. Panurgo diz:

    Ena que pedrada de Sísifo com que um tipo tem de estar para dizer uma coisa dessas dos Morcheeba. Pobre Filipa.

    Ouvir esta Buika ainda é mais estranho que escutar os Tinariwen. O mundo está cada vez mais esquisito.

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