Negríssima noite

Bem sei que é de Cole Porter. Bastaria para que fosse história. E há canções de que gostamos por terem sido história. Tê-la cantado Ella Fitzgerald só a faz ainda mais história.
Perdoem-me, se penso e me atrevo a dizer que K.D.Lang  arrancou “So in Love” da história e fez contemporânea a paixão que Porter louvou em 1948. Pouco interessa que o céu se encha de estrelas: é negríssima noite o que sai da voz de Lang. Quem aqui ama, ama com absoluta consciência de amar sozinha. Não é uma separação que se chora, é uma lúcida memória num oceano de solidão o que sai da boca desta mulher .

 

Sobre Escrever é Triste

O nome, tiraram-mo de Drummond. Acompanho com um improvável bando de Tristes. Conheço-os bem e a eles me confio. Se me disserem, “feche os olhos”, fecharei os olhos. Se me disserem, “despe-te”, dispo-me.
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Uma resposta a Negríssima noite

  1. Bernardo Vaz Pinto diz:

    Querida tia, é negra a noite que se evapora da boca quente de KD Lang, mas aspira ao céu estrelado, assim como os negros e brancos da sublime Bacall. Noites destas desejam-se….

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