Pedro Calapez

Cabe agora a Pedro Calapez, modificar a nossa “face” do nosso blog. Seja bem vindo!
A sua arte, desenhada, pintada, imaginada, dispensa apresentações, mas queremos agradecer ter aceite participar, tristemente, nesta letrada saga, talvez não tão distinta dos territórios do desenho, da pintura, da escultura.
São trabalhos onde se sente a presença de uma arquitectura, mesmo que confundida na perspectiva dos espaços desenhados. São superfícies negras riscadas por linhas brancas, formas delineadas sobre bases de cor. Fundos vermelhos e linhas rasgadas que se abrem em espaço.
Há manchas cortadas que assumem a tridimensionalidade, uma pintura que salta da tela. Ou traços gordos, cheios e vazios, em superfícies pristinas de alumínio. Há ainda as instalações exteriores aos espaços de galeria e museológicos.
Há sobretudo o desenho, calibrado e cuidadoso que define contornos ou manchas, o contraste da linha com a superfície colorida. Há Matisse, há Hans Hoffman, marcados por uma idiossincrasia sempre própria.
A cor, essência em muitas das telas e trabalhos, vive lado a lado com o preto e o branco. Geometria, organicidade, linha e mancha, não se extinguem entre si, antes se sobrepõem. O trabalho que deixa e permite uma nova interpretação. A nossa e provavelmente do próprio artista, e agora a dos próprios leitores. Seja bem vindo.

Sobre Bernardo Vaz Pinto

Não conseguiria nunca ser bailarino actor ou cantor sem aquela coragem segura que lhes permite não desfalecer sob os olhares escondidos de qualquer audiência. Prefiro esconder-me sob uns traços gordos de um lápis de lâmina macia, em fundo branco de papel, acarretar a velocidade lenta de uma qualquer construção que se faz colocando pedra sobre pedra. Ou passar tempo a decifrar, agora por detrás destes óculos de vidro, caligrafias de ficção e poesia, que acabam por aparar a nossa existência, e até moldá-la, abrindo portas a novos sonhos e realidades que não vislumbrávamos até à data. A música. Negra, principalmente riscada nos pântanos de new orleans, e no fumo gelado do south side de chicago. O jazz num solo de Baker, o Miles de pés e mãos marcadas pelo tempo e pelos abusos num concerto em Tokio onde a língua falada era mesmo a música. E Bach. E sempre Bach. De resto, pouco mais, entre a vontade de sonhar a vida e o sonho de vivê-la. O olhar da estrada que passou que ilumina o caminho incerto do futuro. A vontade de expelir para fora o ar que nos fica preso cá dentro.
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6 respostas a Pedro Calapez

  1. manuel s. fonseca diz:

    Arquitectura, espaço: bem caçados, Bernardo, os dois eixos constantes nos trabalhos do artista É um orgulho termos lá em cima a Escrever tão bem retratada por ele.

    • Bernardo Vaz Pinto diz:

      É isso mesmo: orgulho de sermos “representados”desta bela forma …. E agradecer ao Pedro, à Tia claro, e à Rita, que tem sido exímia na escolha destes grandes artistas…

    • Bernardo Vaz Pinto diz:

      Obrigado Ana pelos links …tive pena de não ter conseguido ver os trabalhos sobre alumínio a preto e branco, vou ver se ainda é possível vê-los.

  2. Rita V diz:

    Pedro …
    Bernardo …
    que sorte temos!
    Obrigada

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