Pela estrada fora

Tenho uma vaga memória da leitura juvenil do “Pela Estrada Fora”, o famoso “On the Road” de Jack Kerouac. Mas lá que me divertiu e empolgou (ó, se eu me empolgava) …
Se bem me lembro, foram tempos de uivos e leitura. Marchou o Kerouac e marchou um livrinho verde do Ginsberg e outro avermelhado do Ferlinghetti. Para fazer cama, li “Le Bhouddisme Zen”, (foi o que se arranjou, a versão francesa) do Allan Watts. Houve ali um momento, oscilante, em que estive, Nirvana vai, Nirvana vem, para sair de casa em Hare Krishnas. Mas Kerouac parecia-me divertido, americano. E tão mal escrito como os americanos que eu conhecia eram mal vestidos.
Agora que se anunca o filme, não sei se vá à procura do livro no sótão. Temo reconhecer carradas de razão à crueldade de Truman Capote. “That’s not writing, it’s just typing.

Sobre Manuel S. Fonseca

O meu maior medo é que a morte seja tudo às escuras sem se poder ler. Pouco interessa deixar de ser humano, desde que não deixe de ser leitor. Ler é do mais feliz que tenho. Até porque escrever é triste.
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16 respostas a Pela estrada fora

  1. Pedro Bidarra diz:

    Meu caro: eu também li e não me lembro de nada a não ser que queria viajar para a América. E se possivel no tempo, para os anos 50. Se o leres de novo diz-me como é. . .

    • Manuel S. Fonseca diz:

      Ah pois, Pedro, aconselhas em baixo a largar o analista e a mim mandas-me para a catequese beatnick…

  2. Maracujá diz:

    Vá lá, vá lá ao sotão, Manuel! Deve valer bem a pena abrir mais uma vez a “sua caixinha” de encantamentos! 🙂

  3. Manuel S. Fonseca diz:

    Assim, à primeira vista, acho que o livro (com aquela capa que ali vê em cima,), ficou perdido noutras guerras…

  4. teresa conceição diz:

    Manel, é muito bonita esta sua capa. O meu On the road é azul. E coçado e lido empolgadamente. Naquela época não tinha exigências de Capote. Era de t-shirt e assim e vontade de me fazer à estrada. E fiz.

    • manuel s. fonseca diz:

      Olá Teresa, as capas da Ulisseia eram mesmo muito bonitas. E tenho a certeza de que o Kerouac morreria de felicidade de te saber leitora.

  5. Panurgo diz:

    Pronto, lá vai a panascada de Los Angeles dar cabo de tudo. O livro é notável, notável, notável… e nunca mais me calava se falasse dele. E nem tenho grande apreço pelos Beat. “holy Kerouac”…

    • manuel s. fonseca diz:

      Panurgo, não, não é o Schwarzennegger que vai fazer de Kerouac. O filme é do Walter Salles e quem sabe se não lhe sai um Kerouac tropicalista.

      ps – para quem fez fine bouche a Faulkner, mas que surprise vir de vénia ao Kerouac.

      • Panurgo diz:

        Não sei. Ontem adormeci a matutar na aula do Heidegger sobre a chamada “Ode ao Homem” do coro da Antígona, Talvez seja por nunca ter ganho o hábito de ler em voz muda – a linguagem é a casa do Ser, não é o que o alemão dizia? Portanto, a Beleza não pode ser silenciosa. O Faulkner não me soa bem. É uma música que não me agrada. Enfim, ou talvez seja porque li o Kerouac pelas mesmas alturas da Viagem ao Fim da Noite, e, sei lá eu, há lá muitas coisas que me fizeram lembrar essa Viagem tremenda e incomparável, também muito do Melville no On the Road… na minha cópia só há uma frase sublinhada: lonely as America, a throatpierced sound in the night. No fim, de contas, sou um péssimo leitor de acordo com o Nabokov – se os livros não me dizem nada, fora com eles.

        • manuel s. fonseca diz:

          Gostava de ler Heidegger e ter êxtases. Mas tenho de confessar que me falta uma qualquer costela metafísica. E o muro hostil da conceptualidade germânica…
          Já o resto do que diz me parece mesmo muito bem…

  6. Rita V diz:

    não resisti

  7. manuel s. fonseca diz:

    Ninguém resiste, eu seja ceguinho!

  8. Bernardo Vaz Pinto diz:

    Gostei de ler o On the Road, e das três vezes que atravessei os Estados Unidos, Kerouac parecia muitas vezes presente…também tive um professor de literatura americana, que nos dizia, para grande tristeza do meu amigo Scott, fã incondicional, que Kerouac era ” a bit of a sloppy writer”…

    • manuel s. fonseca diz:

      Perdoa-se-lhe o menos bem que escrevia pela impetuosa frescura da coisa. Bom professor de literatura, esse…

  9. Ana Rita Seabra diz:

    O livro só me deu vontade de pegar à estrada e ir pela América fora – Coast to Coast

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