Uma cama para o Verão que chega

A infância é um reino distante. Assustadoramente poético, por vezes. Só não sei se preferia voltar a deitar-me assim ou voltar a acordar assim.

bed in summer

Jackie Morris é uma pintora e ilustradora inglesa, nascida em Birmingham. Gosta do cheiro de um livro novo, da fragilidade de um osso, da negligente relva do fim do Verão. Também gosta de Chagall e dos poemas de Ted Hughes. Vive no País de Gales.

Concebeu a ilustração acima para este poema de Robert Louis Stevenson:

Bed In Summer
In winter I get up at night
And dress by yellow candle-light.
In summer, quite the other way,
I have to go to bed by day.
I have to go to bed and see
The birds still hopping on the tree,
Or hear the grown-up people’s feet
Still going past me in the street.
And does it not seem hard to you,
When all the sky is clear and blue,
And I should like so much to play,
To have to go to bed by day?

Sobre Manuel S. Fonseca

O meu maior medo é que a morte seja tudo às escuras sem se poder ler. Pouco interessa deixar de ser humano, desde que não deixe de ser leitor. Ler é do mais feliz que tenho. Até porque escrever é triste.
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6 respostas a Uma cama para o Verão que chega

  1. Carlos Paulo Barata Simões diz:

    Deitar assim. Acordar assim. E viver assim, acordado?

    • manuel s. fonseca diz:

      Não há cama onde se possa viver assim, acordado. Pelo menos na Europa e as Maldivas vão deixar de ser o que eram…Um abraço, Carlos Paulo.

  2. Maracujá diz:

    Manuel, Manuel, que refúgio! Já me sinto a sonhar, debruçada sobre a belíssima manta colorida, brincando com veleiros, animais coloridos e soldadinhos em casinhas de encantar! Que bom!

  3. Panurgo diz:

    Não se preocupe Manuel, não se preocupe. Daqui a 20 ou 30 anos arranjam-lhe uma ainda melhor do que essa. Com uma pedra por cima e tudo, para a gente dormir melhor. O pior é que, segundo dizem, há-de vir um gajo acordar-nos com uma trombeta. Como na infância, lá está.

    • manuel s. fonseca diz:

      Panurgo, com este seu conforto ia lá agora preocupar-me. O que seria de nós sem a sua candura optimista.

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