Ana Marchand

ana marchand

Não esperava, alguma vez, escrever sobre a Ana Marchand, pintora sobre cujo trabalho já escreveram melhor e mais profundamente que eu. Mas a nossa convidada de hoje é-me tão familiar, que não resisti a puxar para mim a obrigação e prazer de a apresentar no nosso Escrever é Triste.

Não é de uma boa e velha amizade que vos vou falar, mas sim da pintora Ana Marchand … a minha amiga Ana.

ana marchand

Eu tinha 25 anos quando conheci a Ana. Ouvia-se os Talking Heads, Brian Eno, Tim Buckley, Echo & the Bunnymen, Laurie Anderson, etc …

A Ana morava com um gato siamês em Sintra, dava aulas e pintava. Em casa da Ana vivia-se um ambiente mágico. Artistas, escritores, pintores circulavam nos anos 80 entre telas, esculturas, fotografias, trabalhos que criavam, com a naturalidade de quem não é ainda conhecido ou até famoso.

ana marchand

Conheci em casa da Ana o Joaquim Manuel Magalhães co-autor com a Ana dos livros «Assinar o Mar» e «Ave de Partida» este último com capa de Paulo da Costa Domingos. Eram trabalhos de pintura que traduziam palavras e lembro-me do João Miguel Fernandes Jorge escrever, para a Ana, o texto da exposição « A Fajã do Ouvidor» em 1989.

São vários os locais que guardam os trabalhos da Ana, desde o CAM – Centro de Arte Moderna da Fundação C. Gulbenkian, passando pela FLAD – Fundação Luso-Americana para o Desenvolvimento, CGD – Caixa Geral de Depósitos, Casa Museu Anastácio Gonçalves, CAV- Centro de Artes Visuais Coimbra, até à Fundação Oriente e foram várias as pessoas que escreveram sobre os seus trabalhos.

A Ruth Rosengarten escreveu sobre a Ana Marchand 2 belos textos críticos que pode encontrar aqui  e aqui.

Mas se é verdade que a Pintura ocupa na vida da Ana um lugar importante, não mais importante é a sua demanda de encontrar a porta do ‘Agora’.

Índia, foto de ana marchand

Talvez por isso Ana Marchand, a minha amiga Ana, tenha um trabalho que se multiplica em materiais e suportes, procurando sempre reunir os elementos que à sua disposição conspiram para lhe mostrar o caminho do seu processo místico, individual em que o futuro ‘será apenas outro dia na terra’

Sobre Rita Roquette de Vasconcellos

Apertava com molas da roupa, papel grosso ao quadro da bicicleta encarnada. Ouvia-se troc-troc-troc e imaginava-me a guiar uma mobylette a pedais enquanto as molas a passar nos aros não saltassem. Era feliz a subir às árvores, a brincar aos índios e cowboys e a ler os 5 e os 7 da Enid Blyton. Cresci a preferir desenhar a construir palavras porque... escrever é triste.
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8 respostas a Ana Marchand

  1. manuel s. fonseca diz:

    Rita, isto não é só uma apresentação. Obrigado por nos ter convidado a visitar esse encontro de amigos nos anos 80. Reconheci algumas caras.

  2. De Outra Maneira diz:

    Que bom ver a Ana Marchand por aqui…nómada por natureza, curiosa da cultura universal e da poesia do mundo, ela é uma pintora “deoutramaneira”…

  3. caruma diz:

    mas olha só que tão acertado texto sobre a ana. e porque terá ela escolhido os macaquinhos? seremos nós os macaquinhos a olhar para o escrever é triste, distantes e espectadores ? serão os macaquinhos amigos do Buda com uma significação que para nós é chinês ? saltitantes e metediços não têm nada a ver com ela, enfim, mas consta que foi catando, catando que se iniciou a linguagem, essa comunicação a que é avessa, catando no entanto os códigos das poderosas cores e formas. amei, rita, sim senhôa.

  4. Ana Vidal diz:

    Que texto tão bonito e sentido, Ginja. Gostei. Bjs

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