Anões com guizos

 

 

 

 

 

 

 

 

Foi finalmente decretado, não é mais segredo de estado:
os anões vão ter que usar guizos quando saírem à rua,
pra evitar que a população ande por aí aos tropeções.
A praga será resolvida, e contida, sem ser preciso,
por agora, recorrer a mais nenhuma drástica medida.
O decreto, fontes jorraram, ainda só parcialmente
regulamentado, está a ser trabalhado nos gabinetes,
uma vez que ainda não há acordo, nem definição, sobre
a altura a partir da qual se é considerado anão.
Está em dúvida se vamos adoptar a norma chinesa,
porventura mais adaptada à realidade portuguesa,
ou se, antes pelo contrário, se alinha pelo modelo alemão.

Vale a pena lembrar que foi o alemão, quando cá veio e
nos auditou, que tropeçou num, caiu ao chão e disse, que não
que assim não podia ser, Portugal não podia ter tanto anão,
que os números estavam muito acima da média europeia,
que devíamos fazer qualquer coisa antes que a coisa ficasse feia.
Vai daí a negociação, para chegarmos à conclusão
que era melhor não os abater, como a direita pedia,
e que também não era viável incentivá-los a crescer,
como a esquerda parecia querer. No fim prevaleceu o juízo
e por isso Portugal vai dar, a cada anão, o tal guizo.

In “Almeida Poeta Sem Assunto”

Sobre Pedro Bidarra

As pessoas vêm sempre de algum sítio. Eu vim dos Olivais-Sul, uma experiência arquitecto-sociológica que visava misturar todas as classes sociais para a elevação das mais baixas e que acabou por nos nivelar a todos pelo mais divertido. Venho também da Faculdade de Psicologia da clássica, Universidade Clássica de Lisboa onde li e estudei Psicologia Social e todas as suas mui práticas teorias. Venho do Instituto Gregoriano de Lisboa onde estudei os segredos da mais matemática, e por isso a mais emocional e intangível de todas as artes, a música. E venho sobretudo de casa: de casa das duas pessoas mais decentes que até hoje encontrei; e de casa dos amigos que me ajudaram a ser quem sou. Estes foram os sítios de onde parti. Como diz o poeta (eu): “Para onde vou não sei/ Mas vim aqui parar/ A este triste lugar.”
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16 respostas a Anões com guizos

  1. Maracujá diz:

    Esplendorosamente bem-humorado, caro Pedro.
    O pior vai ser mesmo o ruído estrondoso que se irá fazer sentir, bem para lá…até ao tortuoso solo Germânico. É que apesar de não sermos muitos, temos por cá muito anãozinho!

  2. Inma diz:

    E Espanha, também precisa da alemã?
    Os nossos pliticos que são uns vadios, bandarras, gatunos, mangalaços, quebra-esquinas e sei lá alguma cosa mais, têm que ficar na cadeira.
    Não devolven nem restituem o que apanham (dinheiro).
    Olhem para os politicos do meu pais (Espanha).
    O meu pais está em queda e as pessoas que têm ordenado, têm poucos ganhos.
    Cumprimentos.

    • Pedro Bidarra diz:

      Estava eu a trabalhar em Madrid, há uns anos, quando o meu colega Alfonso, referindo-se a políticos, me introduziu ao conceito de Egípcios: políticos com uma mão estendida a pedir e outra estendida atrás, nas costas, a receber. É tudo farinha do mesmo saco

  3. manuel s. fonseca diz:

    Ó Pedro, onde é que se compram os guizos, carago!

  4. Ana Rita Seabra diz:

    Muito bom! Ainda estou a rir 🙂 🙂
    Ó Pedro, por pouco esse Senhor Alemão não tropeçou em mim!!!
    Diabo, agora vou ter que usar uma coisa dessas?????

  5. Bernardo Vaz Pinto diz:

    Vai soar como uma enorme manada de vacas a fugir do matadouro….ou de anões a fugir do país ?..afinal a solução era bem mais simples do que a esquerda e a direita queriam cozinhar: bastavam uns saltos altos…!

  6. fernando canhao diz:

    e luzinhas para anões de pele (muito) mais escura, pois que podem ser confundidos com gatos

    • Pedro Bidarra diz:

      Com luzes também estudaram mas ficava muito mais caro. Vai ter que ser só com guizos

  7. pedro marta santos diz:

    Inclui uma definição exemplar do que são a Esquerda e a Direita.

    • Pedro Bidarra diz:

      O problema da esquerda e direita é que vivem só num eixo e anda de trás prá frente e vice-versa. Como se o mundo não fosse, no mínimo, tridimensional- mas eles não anda só de um lado para o outro.

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