Confraria do vermute, do conhaque e do traçado

Já não sei qual dos meus Tristes gosta muito da pintura de Hopper. Se bem me lembro são todos. O que a nenhum lembrou foi dar banda sonora a Hopper com a estranha, mas afinal lógica, combinação de Frank Sinatra e Nelson Gonçalves.
Sinatra sim, mas porquê Nelson Gonçalves? Só sei que esse brasileiro, filhos de pobres pais portugueses, homem de cinquenta modestíssimos ofícios e de cem rotundos falhanços, tem uma voz antiga, trágica, operática. Voz hiperbólica onde a de Sinatra é de uma angustiada harmonia. Não quero saber, e quando uma mulher não quer saber é porque tem razão, mas juraria que ambos fazem parte “dessa estranha confraria do vermute, do conhaque e do traçado”. É natural que tenham bebido juntos no solitário bar de Hopper.

Sobre Escrever é Triste

O nome, tiraram-mo de Drummond. Acompanho com um improvável bando de Tristes. Conheço-os bem e a eles me confio. Se me disserem, “feche os olhos”, fecharei os olhos. Se me disserem, “despe-te”, dispo-me.

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5 respostas a Confraria do vermute, do conhaque e do traçado

  1. manuel s. fonseca diz:

    Protesto, querida Tia. Eu já andava com o Nelson Gonçalves engatilhado. Agora vou ter de trazer o Tony de Matos, o único verdadeiro crooner português, magricelas como o Sinatra e com um chapéu à Dean Martin.Tinha uma grande voz para o caso da Tia me vir dizer que era foleiro.

    • Escrever é Triste diz:

      Nunca ouvi que eu não tenho a sua idade. Agora garanto-lhe que dou asas aos meus ouvidos: se voarem vou com eles. Traga lá o Tony de Matos.

  2. Ana Rita Seabra diz:

    Olhem que grande dupla!
    Cresci a ouvir Sinatra… e agora só falta uma boa companhia para dançar bem agarradinha!!!

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