Eat my shorts, Lana del Rey!

E vão onze. Eram álbums. Depois CD´s. Agora foi um Download com livrinho virtual e tudo. Dela lá dirão de novo, os críticos e os sábios, as mesmas bombásticas coisas de sempre. “Um ressuscitar visceral da poetiza de Greenwich”. “O regresso abrupto da “Rimbaud with amps””. “Mais uma ascensão celestial da “Priestess of Punk””. A todo este jibberish encolherá ela os ombros, acenderá com calma mais um cigarro e provavelmente responderá com o vigor dos seus sessenta e muitos anos: – BANGA!

Lá dentro (desse BANGA) há amor, morte, glória e um rebanho de alegres criancinhas. E aparecem também, para quem quiser ouvir com atenção, um Tom Verlaine na guitarra, um Johnny Deep na bateria e um Piero della Francesca nos pincéis.

Como crítico que não sou, só me resta mesmo dizer: – Eat my shorts, Lana del Rey!

Mosaic – Patti Smith, BANGA 2012

Sobre Vasco Grilo

Quando era rapazola dei demasiadas cabeçadas com a minha pobre caixa de osso. Hoje, como deliciosa consequência, encontro a minha razão intermitente como uma rede WI-FI, sem fios nem contrato fixo. Por vezes suspeito que a minha alma seja a de um velho tirano sexista e sanguinário, prisioneiro no corpo perfumado e bem-falante de um jovem republicano. Mas talvez eu seja só é um bocado sonso. A cidade para onde me mudei no final do século passado chama-se Aerotrópolis. Daqui partem todas as estradas e para aqui todas elas confluem. Em seu redor e para minha sorte, está um mundo que é grande e ainda muito comestível. Creio que a verdadeira felicidade possa causar uma certa tristeza. E por isso e só por isso, aqui, escreverei.
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4 respostas a Eat my shorts, Lana del Rey!

  1. manuel s. fonseca diz:

    Isto está carregado de ansiedade e fome. Se calhar de infinito.
    Entretanto a Lana vem aí, mas como vem ao Meco se calhar não traz shorts.

  2. Diogo Leote diz:

    Vasco, belo álbum da Patti sim senhor. Só me rendi à Patti há pouco, através do Just Kids (que mereceu até um post meu) e, por via do livro, fui apresentado ao fabuloso Horses. E este Banga é um regresso a esses bons tempos do Horses.

  3. belo texto
    e já não me lembrava da voz de Banga!
    🙂

  4. Bernardo Vaz Pinto diz:

    Uma voz forte como o tempo ou como as histórias que conta…

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