Oitenta verões

 

 

 

 

 

 

 

Oitenta verões já davam uma boa vida.
Oitenta vezes de chinelos e calções,

Oitenta ondas de calor e prostração,
Oitenta ociosos tempos de verão,

Oitenta peregrinações pra sul,
Oitenta canções de amor e azul,

Oitenta reencontros amigos,
Oitenta estações de cerejas e figos,

Oitenta vezes, três meses de mar
E outras tantas noites ao luar,

Oitenta múltiplos mirares,
Oitenta múltiplas trocas de olhares,

Oitenta amores sufocantes,
Oitenta paixões delirantes,

Oitenta prazenteiros estios,
Oitenta bêbados corrupios,

Oitenta infindáveis férias grandes,
Oitenta adolescências sem fim,

Oitenta delírios de felicidade,
Oitenta ilusões de não ter idade,

Oitenta verões.
É tudo o que quero pra mim.

(in Almeida Poeta Sem Assunto)

Sobre Pedro Bidarra

As pessoas vêm sempre de algum sítio. Eu vim dos Olivais-Sul, uma experiência arquitecto-sociológica que visava misturar todas as classes sociais para a elevação das mais baixas e que acabou por nos nivelar a todos pelo mais divertido. Venho também da Faculdade de Psicologia da clássica, Universidade Clássica de Lisboa onde li e estudei Psicologia Social e todas as suas mui práticas teorias. Venho do Instituto Gregoriano de Lisboa onde estudei os segredos da mais matemática, e por isso a mais emocional e intangível de todas as artes, a música. E venho sobretudo de casa: de casa das duas pessoas mais decentes que até hoje encontrei; e de casa dos amigos que me ajudaram a ser quem sou. Estes foram os sítios de onde parti. Como diz o poeta (eu):
“Para onde vou não sei/ Mas vim aqui parar/ A este triste lugar.”

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19 respostas a Oitenta verões

  1. Rita V diz:

    🙂 espero que o Almeida tenha muitos, muitos mais …

  2. aclerigo diz:

    hum? percebo nada. isto quem tem blogues tem de escrever cenas que se percebam, caso contrário chama-se diário.

    • Pedro Bidarra diz:

      Se puder ajudar…

      • aclerigo diz:

        sim, se faz favor, preciso de interpretar este poema com ajuda. a ideia é valorizar a avançada idade dos oitenta? e o almeida é o pedro bidarra? e depois há o ‘sobre Pedro Bidarra’. o pedro bidarra n é um publicitário que mora em cascais?

  3. manuel s. fonseca diz:

    Ó Pedro, diz lá ao teu poeta que se percebe tudo e muito bem! Mas ele está a pedir o que nem a generosa Troika dá: bolsas e bolsas de tempo puro, primordial. Também quero…

    • aclerigo diz:

      olha… se não é o cunhado da cláudia?!

      • manuel s. fonseca diz:

        Irre­le­vante, a menos que tam­bém ande a tra­ba­lhar para as secre­tas. Eu sou eu, sem pre­ci­sar das minhas con­tin­gên­cias por mais sim­pá­ti­cas que sejam. Se nos quer comen­tar, escreva o que pensa e o que sente: é o que inte­ressa. No names!

        • aclerigo diz:

          🙂 de facto. foi um dia mau. voltarei ao comentário um dia e de acordo com as regras. até lá.

  4. Ana Rita Seabra diz:

    Também eu quero oitenta verões seguidos!!
    Gostei muito 🙂

  5. teresa conceição diz:

    Que maravilhosos oitenta.
    Este Almeida é genial. Grande interpretador, até de desejos que não lhe pedem.
    Mas eu queria oitenta… mais um.
    Será que o Almeida dá?

  6. Carla L. diz:

    Quero chegar aos 80 verões ainda com olhos de ver!

    • Pedro Bidarra diz:

      Os olhos nunca param de ver. Como se lê noutro sítio, e cito de memória, “A gema continua amarela,/ A rosa da cor dela/ E o vermelho continua vermelho./Só muda o que vez ao espelho.”

  7. Bernardo Vaz Pinto diz:

    Gosto do oitenta, 80, o mais redondo dos números com três circulos…. Só se pode passar um verão por ano, porque ir buscar o verão a outro lado não é a mesma coisa.

  8. Pedro Bidarra diz:

    Andar a saltitar de hemisfério já é galhofa a mais. É como comer cerejas do Chile no inverno,ou morangos de estufa, é contra natura.

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