Salve a mulatada universal

 

Carybé, Mulata grande

Martinho da Vila é uma doença contagiante: começa a cantar e mesmo eu, que se existisse a palavra descantar seria dado como exemplo, canto logo com ele.

Canto e estou de acordo: dou vivas à mulatada. À brasileira, à mulatada de Luanda e Benguela, à mulatada universal. O mulato tem essa angústia de não ser branquinho e não ser pretinho, mas é uma angústia que se dissolve na alegria de ser ele a soma de todas as coisas. Mais, a mulatada é a soma do melhor de todas as coisas porque, consentido ou violento, o mulato nasce do desejo genuíno do outro. O mulato é o futuro do universo, logo que o universo deixe de ser local.

Querem outro exemplo, mais abstracto, mais conceptual? Experimentem ouvir Bach a entrar em África e África a entrar em Bach.

Sobre Manuel S. Fonseca

O meu maior medo é que a morte seja tudo às escuras sem se poder ler. Pouco interessa deixar de ser humano, desde que não deixe de ser leitor. Ler é do mais feliz que tenho. Até porque escrever é triste.
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8 respostas a Salve a mulatada universal

  1. Pedro Bidarra diz:

    Que maravilha o quadro, tudo se passa ali, entra as pernas de uma mulata.

  2. Bernardo Vaz Pinto diz:

    A Mulata Grande a tocar Bach, aí sim o Universo deixaria de ser local !

  3. G.Rocha diz:

    Salvé! 🙂
    Gosto de Martinho da Vila. Gosto do quadro! e gosto do Texto 🙂
    Verdade Absoluta e Incontestável : “logo que o uni­verso deixe de ser local”! Assim dar-se-iam grandes mudanças de mentalidades.

  4. manuel s. fonseca diz:

    Obrigado por gostar de tanta coisa. Gostar com gostar se paga: gosto de tudo o que diz.

  5. Ana Rita Seabra diz:

    “a mula­tada é a soma do melhor de todas as coi­sas”
    Deve ser isso Manel! Já não ouvia o Martinho da Vila há muito tempo!
    Que belo ritmo 🙂 já estou a dançar
    e que belo texto!

  6. manuel s. fonseca diz:

    A dançar e a rir: o homem canta, a multidão ri.

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