Sartre, Camus e Wanda

A perdidamente linda Wanda

Sabe-se lá o que Sartre e Beauvoir fizeram juntos. Mas sabe-se muito e mais o que fizeram separados. Um dia conheceram Olga, filha de um aristocrata russo que a Revolução terá forçado ao exílio. Sartre, sempre perdido, perdido ficou por Olga. A Beauvoir pô-la debaixo da asa. Olga * afeiçoou-se e gostou. Mas não de Sartre. Resistiu-lhe a todos os avanços. Foram, por isso, um falso trio. Até que surgiu Wanda, a irmã de Olga. Sartre, sempre perdido, perdeu-se por Wanda que não sabia o que era o amor, um beijo, ou que uma cama fosse para outra coisa se não para dormir sozinha. Demorou, como tudo demorava a Sartre, dois anos a ter de Wanda o que perdidamente de Wanda queria. Mal tinha começado e apareceu Camus, o selecto e argelino Camus. E já se sabe o que estes rapazes ligeiros das colónias são capazes de fazer.

Ao contrário do que se possa pensar, a filosofia, sobretudo se for francesa e do século XX, tem tonalidades cor-de-rosa. É o que os british pensam e escrevem e eu, para treinarem o vosso inglês, me recuso a resumir: está tudo em jornais como esteou aqui na inefável blogosfera em que escrever é triste.

* Olga, afeição por afeição, acabaria por se apaixonar e casar com Jacques-Laurent Bost, a quem Beauvoir chamou logo um figo, conseguindo por fim, embora à sombra da ignorância de Olga, o trio a que faltou a carruagem de Sartre para fazer comboio.

Sobre Manuel S. Fonseca

O meu maior medo é que a morte seja tudo às escuras sem se poder ler. Pouco interessa deixar de ser humano, desde que não deixe de ser leitor. Ler é do mais feliz que tenho. Até porque escrever é triste.
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12 respostas a Sartre, Camus e Wanda

  1. Emily diz:

    Aqui se escreve triste
    Pois a caneta é antiga
    Falta a verdade que existe
    No culpado que se castiga

  2. Panurgo diz:

    É preciso estômago. Mais nojento do que o Camus e o Sartre a escreverem (?!) só mesmo o Camus e o Sartre a despirem-se. Que porcada. Eh pobre Wanda… feiota, mas mesmo assim… ter de ver aquilo… e o trambolho da Beauvoir… que nojo argh! Já nem almoço.

    • manuel s. fonseca diz:

      Panurgo, também não é caso para enjoos apocalípticos. Um brioche no Café Flore e vai ver que vê logo o dia com outros olhos.

  3. Bernardo Vaz Pinto diz:

    Gostei do “Sartre sempre perdido, perdeu-se”!!!! E perder-se pela Wanda parece-me bem melhor do que por qualquer outra demagoga causa datada…por essas e por outras é que também acho que os contornos eram bem mais cor-de-rosa do que apregoavam os seus líderes intelectuais…

    • manuel s. fonseca diz:

      By the way, até o Grande Líder, Mao-mao Tsé-tsé, era dado ao cor-de-rosa e a comboios, seu meio de deslocação favorito.

  4. Nina diz:

    As coisas que estes meninos sabem sobre comboios…

  5. Pedro Bidarra diz:

    Filosofia na alcova

  6. O Sartre, por ser vesgo, confundia as mulheres, pois pensavam elas que ele as fisgava, quando ele olhava apenas para o nada do ser.

    Por não teres tido vida de cabaret, talvez tenhas escapado de boa, havia cabarets lixados:

  7. manuel s. fonseca diz:

    Táxi, qualquer míope sabe bem do que estás a falar. Julgo que o problema se vai acentuar agora que os utentes estão a deixar de ir às consultas de oftalmologia.
    No cabaret da Lena Horne (não é para te contrariar) já tinha estado. Great singer.

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