A alegria

Ah, vou confessar-vos que o meu melhor sonho, sonho de Tia, era levar lá os meus Tristes sobrinhos e cantar, assobiar, bater palmas com eles, soprarmos nas mesmas cornetas.

Espanta-me o terrível erro em que tanta gente teima. Como é que não perceberam que a alegria, a maior alegria, é fazer sempre a mesma coisa? Pode haver alguma coisa melhor do que cantar sempre a mesma canção? Já viram o sereno aroma que se evola (ó meu Deus, eu disse mesmo evola?)  dos mesmo versos repetidos anos a fio, sem a angústia de palavras novas de que podemos não nos recordar?

Do que gosto é de saber que à minha volta – e eu queria tanto os meus Tristes à minha volta – queremos todos cantar as mesmas canções, seguir o mesmo ritual de assobios, aplausos nos pontos certos, nos pontos que todos sabem, num coro que afina e desafina por unanimidade.

Queria, se os meus Tristes me levassem, assistir, num Verão londrino, à Última Noite das Proms. Queria, como se fosse um torrão de açucar, desfazer-me nessa multidão uníssona, cantar debaixo da brisa de uma única bandeira. A alegria é cantar mil vezes o “Rule Britania”, a alegria é a ausência de surpresas.

Sobre Escrever é Triste

O nome, tiraram-mo de Drummond. Acompanho com um improvável bando de Tristes. Conheço-os bem e a eles me confio. Se me disserem, “feche os olhos”, fecharei os olhos. Se me disserem, “despe-te”, dispo-me.

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Uma resposta a A alegria

  1. Ó querida Tia, até m’ alavantei !!!!!

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